Apesar de todas as lambanças cometidas pela direita – em especial pelos familiares e apoiadores mais próximos da família Bolsonaro –, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está exatamente garantida. É o que mostram os números da pesquisa Real Time Big Data divulgada ontem. Mesmo diante de todo o fogo amigo recente (como o vídeo de Michelle Bolsonaro e o tarifaço americano), o senador Flávio Bolsonaro está empatado tecnicamente com Lula em simulação de segundo turno (45% a 42%, com 8% de nulos e brancos e 5% de indecisos).
Esses números talvez revelem muito mais uma rejeição fortíssima ao presidente do que uma resiliência política do principal nome da oposição. Diante da recente confusão familiar entre o senador e a madrasta esperava-se que a candidatura de Flávio fosse sofrer muito mais (especialmente depois que o influenciador Paulo Figueiredo fez uma crítica desastrosa ao eleitorado feminino). O que se viu, no entanto, foi uma queda momentânea, seguida de uma recuperação.
A pesquisa Real Time, no entanto, mostrou duas tendências interessantes. A primeira é a constatação inequívoca de que Renan Santos vem subindo de forma consistente, embora com velocidade lenta (o problema do candidato é que ele não consegue derrotar Lula no segundo turno, por conta da rejeição de bolsonaristas; o placar fica em 35% a 44%).
A segunda é a simpatia que o ex-governador Ronaldo Caiado dissemina entre o eleitorado oposicionista. Em um eventual segundo turno contra Lula, ele venceria por um ponto percentual (44% a 43%). O desafio de Caiado, no entanto, é ultrapassar Flávio (33% de intenções no primeiro turno) e Renan (9%) para chegar à etapa final das eleições.
Esse pequeno grupo que aceita votar em Caiado e não em Flávio é exatamente quem pode decidir o próximo ocupante do Palácio do Planalto. O comando da campanha do PL já verificou que existe margem para convencer esse eleitor, especialmente se elevar a octanagem dos ataques ao PT e a Lula. Neste caso, o gancho da campanha de Flávio será o eventual envolvimento de um dos filhos do presidente no escândalo do INSS.
O tarifaço de 2026 não teve um impacto tão grande quanto o do ano passado. Os exportadores entenderam como agir diante das barreiras alfandegárias e criaram alternativas para manter suas vendas ao exterior. Haverá, evidentemente, consequências econômicas. Mas não tão graves quanto se projetava em julho de 2025.
Em algum momento a partir de agosto, porém, a direita terá de parar de brigar entre si e olhar com carinho para o segundo turno. Mas, quando isso ocorrer, os lulistas vão explodir todo o arsenal que possuem para ferir os candidatos da direita. Com isso, o PT não deseja virar votos para Lula. Apenas gerar rejeição à candidatura de Flávio, empurrando eleitores de centro para a abstenção e para os votos nulos ou em branco.
Essa briga vai atingir níveis de agressividade nunca vistos antes pelo eleitorado brasileiro. Por isso, apertem os cintos. Deve haver uma turbulência das bravas pela frente.
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