O mercado brasileiro de ETFs vive uma fase de expansão marcada pela diversificação de produtos e pelo aumento da demanda por estratégias que unem exposição a diferentes ativos e geração de renda. O patrimônio sob gestão saltou de R$ 54 bilhões para R$ 91 bilhões em 2025, enquanto o número de investidores chegou a 919 mil, segundo dados da B3. Entre janeiro de 2025 e março de 2026, o número de fundos listados na bolsa cresceu 70%, evidenciando o ritmo acelerado da indústria.
Se antes os ETFs eram vistos apenas como instrumentos de replicação passiva de índices, hoje ganham espaço estruturas mais sofisticadas, com distribuição periódica de rendimentos e foco em setores específicos ou mercados globais. A tendência acompanha o movimento de mercados maduros, como Estados Unidos e Europa, onde produtos com objetivos distintos de investimento já consolidaram participação.
Entre as estratégias que mais crescem, conforme a gestora Buena Vista, estão os ETFs voltados à renda recorrente, apoiados em operações com opções, como o modelo de covered call. Essa estrutura busca gerar fluxo periódico de rendimentos, ainda que limite parte do potencial de valorização em cenários de alta. A busca por diversificação internacional também impulsiona o setor, com produtos que oferecem acesso a ações globais, commodities e ativos digitais, antes restritos a investidores com maior capital.
A expansão de ETFs temáticos, ligados a tecnologia, inteligência artificial, infraestrutura, criptoativos e commodities, reflete mudanças no perfil do investidor brasileiro, que passa a buscar instrumentos alinhados a tendências econômicas e setoriais. “Os ETFs vêm deixando de ocupar apenas uma função de exposição passiva para atender estratégias mais específicas dentro do portfólio do investidor. O avanço da indústria indica uma ampliação das possibilidades de acesso a diferentes mercados, perfis de risco e objetivos financeiros”, afirma Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital.
O crescimento do mercado ocorre em paralelo à demanda por liquidez, diversificação e eficiência operacional, mas também exige maior conhecimento sobre riscos e objetivos de cada estrutura. Para a gestora, a indústria caminha para oferecer soluções que combinam renda, proteção e exposição internacional, consolidando os ETFs como instrumentos centrais na composição de carteiras mais sofisticadas.
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