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Mulheres 50+ ganham espaço ao volante e movimentam mercado de educação automotiva

Lorena Scavone Giron
20 de julho de 2026
Com 5,6 milhões de motoristas habilitadas entre 51 e 70 anos, público maduro busca mais autonomia para entender revisões, identificar problemas e negociar serviços mecânicos

Dirigir já não basta. Um número crescente de mulheres com mais de 50 anos tem buscado conhecimentos sobre manutenção e funcionamento de veículos para ganhar autonomia, evitar prejuízos e tomar decisões com mais segurança nas oficinas.

Dados reunidos pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, com base em informações da Secretaria Nacional de Trânsito e do Censo Demográfico, indicam que o Brasil tem 5,6 milhões de mulheres habilitadas entre 51 e 70 anos. O contingente supera o de condutoras entre 41 e 50 anos, estimado em 5,5 milhões, e amplia a relevância desse público para o setor automotivo.

O movimento tem impulsionado cursos, oficinas e comunidades voltadas à educação automotiva feminina. Uma delas é a Dona Meu Destino, criada por Vittória Gabriele após experiências negativas com a manutenção do próprio carro. A iniciativa reúne mais de 890 mil mulheres nas redes sociais e afirma ter uma lista de espera com 3,5 mil interessadas em oficinas presenciais de mecânica básica.

“Entender o carro virou uma forma de reduzir a dependência e tomar decisões com mais segurança”, afirma Vittória.

Segundo ela, aumentou a presença de mulheres maduras nas capacitações. Entre as participantes estão viúvas que passaram a assumir tarefas antes compartilhadas, mães responsáveis pelas decisões financeiras da família e motoristas que já não querem depender de terceiros para avaliar orçamentos ou autorizar reparos.

A mudança acompanha o crescimento da participação feminina na gestão dos lares. O Censo 2022 mostra que as mulheres são responsáveis por 49,1% dos domicílios brasileiros, ante 38,7% em 2010. O avanço representa cerca de 36 milhões de brasileiras à frente de decisões financeiras e administrativas.

No setor automotivo, essa autonomia aparece em escolhas cotidianas, como selecionar uma oficina, questionar a necessidade de trocar uma peça, compreender as etapas de uma revisão ou avaliar se o valor cobrado por um serviço é coerente.

De acordo com Vittória, muitas mulheres procuravam as oficinas apenas depois de enfrentar panes, prejuízos ou atendimentos inadequados. Agora, a busca pelo conhecimento ocorre cada vez mais de forma preventiva.

“É uma mudança do ‘preciso me virar’ para o ‘quero ter controle’”, diz.

As capacitações são direcionadas principalmente a mulheres sem conhecimento técnico prévio. Entre os conteúdos estão verificação do nível de óleo, avaliação do desgaste dos pneus, funcionamento das revisões periódicas e identificação de sinais que podem indicar falhas no veículo.

A proposta não é formar mecânicas, mas oferecer informações que permitam às motoristas participar das decisões sobre seus carros e reduzir o risco de pagar por serviços desnecessários ou ignorar problemas simples.

A Dona Meu Destino planeja ampliar o número de turmas e levar as oficinas a outras regiões do país. Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte estão entre as cidades consideradas para receber os próximos encontros. A comunidade também desenvolve versões online dos cursos para alcançar mulheres de diferentes estados.

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