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Faria Lima troca salas de reunião por eventos de golfe para fazer networking

Lorena Scavone Giron
8 de julho de 2026
Empresários e executivos do mercado financeiro usam experiências fora do escritório para fortalecer relações e abrir novas conversas de negócios

O networking do mercado financeiro brasileiro vem deixando as salas fechadas da Faria Lima para ocupar também campos de golfe. Em eventos corporativos que combinam esporte, convivência e relacionamento, empresários, gestores, investidores e executivos têm usado ambientes menos formais para ampliar conexões, aproximar clientes estratégicos e criar oportunidades comerciais.

A movimentação reflete uma mudança no modo como parte do mercado financeiro constrói relacionamento. Em um setor movido por confiança, reputação e acesso, encontros fora do escritório passaram a ganhar peso como ferramenta de aproximação. Além do golfe, atividades como tênis, squash e boliche também têm sido usadas por empresas para criar interações mais longas e menos protocolares.

A Ouro Preto Investimentos é uma das casas que têm adotado esse tipo de iniciativa. A gestora participa de eventos de golfe como forma de se aproximar de clientes, parceiros e empresários interessados em mercado de capitais, gestão patrimonial e soluções financeiras. Segundo a empresa, encontros recentes ajudaram a originar mais de R$ 100 milhões em oportunidades de negócios, a partir de novos relacionamentos mapeados após as etapas.

Para Leandro Turaça, sócio da Ouro Preto Investimentos, o principal diferencial do formato está na construção de confiança antes da negociação formal.

“O golfe cria uma dinâmica diferente da reunião tradicional, porque permite que o investidor ou empresário conheça melhor quem está do outro lado antes de falar de produto, alocação ou estrutura financeira. No mercado financeiro, a confiança quase sempre vem antes da negociação, e esses eventos ajudam a construir essa ponte de forma natural”, afirma.

Conversas mais longas, menos protocolo

A força desse modelo está no tempo de convivência. Diferentemente de um almoço rápido ou de uma reunião de 30 minutos, um evento de golfe pode criar uma jornada de cerca de quatro horas de relacionamento, com café da manhã, prática esportiva, almoço, premiações e conversas ao longo do dia.

O ambiente menos formal facilita a aproximação entre investidores e empresários que, muitas vezes, compartilham interesses em temas como investimentos, crédito, expansão, sucessão patrimonial e diversificação de capital.

“O mercado financeiro sempre valorizou bons contatos, mas hoje existe uma diferença importante entre apenas conhecer pessoas e criar relacionamento de verdade. O golfe permite essa segunda etapa, porque o empresário passa algumas horas em um ambiente seguro, tranquilo e descontraído, onde a conversa flui com menos barreira. Muitos negócios não começam com uma proposta formal, começam com uma troca qualificada”, diz Turaça.

Golfe vira ferramenta corporativa

À frente da Golf & Fun, Jacques Wladimirski afirma que o esporte ganhou espaço no ambiente corporativo justamente por combinar lazer, relacionamento e geração de negócios. Segundo ele, os eventos foram desenvolvidos para aproximar empresários, executivos e marcas em uma experiência ainda pouco explorada no Brasil.

“Os eventos de golfe geram melhores relacionamentos das organizações com seus clientes e, consequentemente, aumento dos negócios gerados por eles”, afirma Wladimirski, presidente da Golf & Fun.

De acordo com o executivo, cerca de 150 pessoas participam de cada evento, e aproximadamente 90% delas nunca haviam entrado em um campo de golfe. A empresa atua há mais de duas décadas nesse segmento, com foco em criar ambientes de relacionamento entre patrocinadores e seus clientes.

Para Wladimirski, a permanência de marcas parceiras por quase 20 anos mostra que o formato tem conseguido sustentar conexões de longo prazo. Em um mercado marcado por agendas concorridas, disputa por atenção e excesso de eventos corporativos, o golfe aparece como uma alternativa de networking mais prolongada, em que as conversas de negócios se desenvolvem ao longo de uma experiência compartilhada, e não apenas em encontros pontuais.

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