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Setor produtivo leva a candidatos agenda para destravar a economia

Da redação
16 de junho de 2026
Documento do MBC defende ajuste fiscal, avanço em inteligência artificial e redução do Custo Brasil para elevar investimentos e melhorar a competitividade do país

O Movimento Brasil Competitivo (MBC), coalizão que reúne entidades do setor produtivo, lançou nesta terça-feira (16) uma agenda de propostas voltada a lideranças partidárias e coordenadores de programas de governo. O documento, intitulado “Compromissos para um Brasil Competitivo”, defende medidas para aumentar a produtividade, reduzir o Custo Brasil e acelerar o desenvolvimento sustentável do país.

A agenda parte de três metas de longo prazo: elevar a taxa de investimento para 20% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 16,8% registrados em 2025; reduzir em 25% o Custo Brasil, estimado em R$ 1,7 trilhão, ou 19,5% do PIB; e colocar o Brasil entre as 30 economias mais competitivas do mundo até 2030. Atualmente, o país ocupa a 58ª posição no Ranking Global de Competitividade do IMD, que avalia 69 economias.

O equilíbrio fiscal aparece como o primeiro eixo da proposta. O MBC defende a moderação do crescimento das despesas primárias obrigatórias, especialmente benefícios previdenciários, além da revisão de mecanismos de indexação ao salário mínimo e do combate aos supersalários no setor público. Para o movimento, a sustentabilidade das contas públicas é condição necessária para ampliar investimentos e melhorar o ambiente de negócios.

O documento também propõe o fortalecimento da governança regulatória, com alinhamento das práticas brasileiras às diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A intenção é reduzir burocracias, ampliar a previsibilidade regulatória e dar mais segurança jurídica a setores como infraestrutura, petróleo, gás, mineração e energia.

Na área de mercado de trabalho, o MBC defende a criação de um Sistema Nacional de Avaliação da Educação Profissional, com foco na qualificação da mão de obra e na aproximação entre formação técnica e demanda das empresas. O grupo também menciona a necessidade de modernizar as relações trabalhistas, equilibrando novas formas de trabalho com proteção social.

A agenda inclui ainda propostas para melhorar a matriz logística nacional, ampliar a competitividade energética e combater mercados ilegais. Segundo o documento, atividades ilícitas geram perdas estimadas em R$ 468 bilhões ao país, o equivalente a 4,3% do PIB.

A transformação digital é outro eixo central da proposta. O MBC defende a construção de uma Estratégia Nacional de Infraestrutura Digital para posicionar o Brasil como hub competitivo da economia de dados. A proposta envolve quatro frentes: governança integrada, competitividade tributária, tratamento diferenciado para o setor elétrico e ambiente regulatório estável.

No caso da inteligência artificial, o movimento argumenta que o país precisa criar condições para atrair investimentos em conectividade, data centers, computação em nuvem e infraestrutura de dados. Entre as sugestões estão a harmonização de legislações para reduzir entraves a licenciamentos, a criação de regime especial para data centers e regras mais previsíveis para investimentos de longo prazo.

Ao mirar o debate eleitoral, o MBC tenta levar ao centro das discussões uma agenda de produtividade e competitividade. A mensagem do setor produtivo é direta: sem ajuste fiscal, infraestrutura eficiente, mão de obra qualificada e avanço digital, o país continuará preso ao baixo crescimento e ao peso estrutural do Custo Brasil.

As sete propostas do MBC
  1. Promover o equilíbrio fiscal de longo prazo
  2. Fortalecer a governança regulatória
  3. Fortalecer o mercado de trabalho
  4. Melhorar a matriz logística nacional
  5. Assegurar energia competitiva e acessível
  6. Combater a ilegalidade nas atividades produtivas
  7. Promover a transformação digital
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