Apesar do mercado de trabalho ainda aquecido, cresce a cautela em relação aos próximos meses, aponta sondagem do Ibre/FGV
Cinco em cada dez trabalhadores brasileiros acreditam que está difícil conseguir emprego atualmente. É o que mostra a Sondagem do Mercado de Trabalho divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Segundo o levantamento, 51,2% dos entrevistados avaliam que encontrar uma vaga está difícil ou muito difícil — o maior percentual registrado nos 12 meses da série histórica.
Por outro lado, 25,5% consideram que está fácil ou muito fácil conseguir trabalho, o maior índice já observado pela pesquisa nesse mesmo período. Outros 23,3% classificaram a situação como normal.
Entre os entrevistados, 41,9% disseram que está difícil encontrar emprego, enquanto 9,3% avaliaram o cenário como muito difícil. Já 23,3% consideraram o momento favorável, e 2,2% afirmaram que está muito fácil conseguir uma colocação.
As expectativas para os próximos seis meses, no entanto, indicam maior cautela. Para 37,1% dos trabalhadores, o mercado de trabalho deve piorar nesse período. Outros 33,3% acreditam que o cenário permanecerá igual, enquanto 29,6% esperam uma melhora.
“Por um lado, a percepção sobre o momento presente segue melhorando, indicando um mercado de trabalho ainda aquecido. Mas, por outro, as pessoas têm se mostrado cada vez mais cautelosas com a manutenção desse cenário”, afirmou Rodolpho Tobler, economista do Ibre/FGV, em nota.
Segundo o especialista, embora a taxa de desocupação permaneça em níveis historicamente baixos, já há sinais de desaceleração no ritmo das contratações. “A desaceleração da atividade econômica e o aumento de incerteza no cenário macroeconômico ajudam a explicar a expectativa menos otimista para os próximos meses”, disse.
A pesquisa também apontou mudanças na percepção sobre o trabalho atual. A parcela de trabalhadores muito satisfeitos com a ocupação principal caiu de 13,1% em abril para 12,6% em maio. Em contrapartida, o percentual dos que se declararam satisfeitos subiu de 63,8% para 64,1%, enquanto os insatisfeitos recuaram de 7,5% para 6,9%.
Já a proporção de pessoas que consideram a renda do trabalho suficiente para cobrir despesas essenciais passou de 70,8% para 70,3% entre abril e maio.
