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O esforço fiscal necessário para estabilizar a relação dívida/PIB

Lucas Andrade
14 de junho de 2026
Bradesco analisa os limites e os desafios para a consolidação fiscal

Relatório do Bradesco, assinado pelo economista Marcos Muniz, aponta que o atual arcabouço fiscal, embora viável até 2027, não será suficiente para estabilizar a relação dívida/PIB sem medidas adicionais. O estudo destaca que o limite de despesas pode ser cumprido até 2028, mas nesse ponto os gastos discricionários atingiriam patamar historicamente baixo, colocando em risco o funcionamento da máquina pública. Isso torna urgente a adoção de ajustes já no início do próximo ano.

Segundo Muniz, o governo deve conseguir cumprir a meta de resultado primário em 2027, mas enfrentará dificuldades a partir de 2028 sem novas medidas. A inclusão de parte dos precatórios dentro do limite de despesas ajuda na credibilidade das metas, mas exige esforço extra. A estabilização das despesas com Fundeb e a redução dos precatórios em 2027 também contribuem para a melhora do quadro fiscal, mas não eliminam a necessidade de reformas estruturais.

O relatório enfatiza que a pressão maior vem das despesas obrigatórias, especialmente previdenciárias, que já representam quase metade do gasto primário e crescem acima do limite estipulado pelo arcabouço. Sem revisão das regras de mínimos constitucionais e sem desindexação de despesas, o espaço para ajuste pelo lado das receitas será limitado, já que a carga tributária líquida projetada para 2026 alcançará o maior nível desde 2012.

Para estabilizar a dívida, o esforço fiscal precisará ser mais intenso do que o previsto atualmente. Com juros reais médios de longo prazo em torno de 6%, seria necessário um superávit primário próximo de 3% do PIB. No entanto, seguindo apenas as regras atuais, o país chegaria a 2030 com superávit de cerca de 1,5% do PIB. Isso reforça a necessidade de um ajuste crível e sustentável, capaz de reduzir o juro neutro e aliviar a pressão da dívida sobre as contas públicas.

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