Itaú avalia que futuro da política monetária permanece em aberto diante de um cenário de elevada incerteza global e doméstica
O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar nesta semana um corte de 25 pontos-base na taxa Selic, levando os juros para 14,25% ao ano, segundo relatório do Itaú Unibanco assinado por Mario Mesquita, economista-chefe do banco. O documento destaca que, apesar da decisão de flexibilização, o futuro da política monetária permanece em aberto diante de um cenário de elevada incerteza global e doméstica.
O relatório aponta que dados mais fortes da economia dos Estados Unidos, somados às tensões no Oriente Médio, pressionaram a trajetória dos juros americanos e impactaram ativos em todo o mundo. No Brasil, os números recentes também mostraram uma economia mais aquecida, com PIB cíclico acelerado e mercado de trabalho resiliente, o que deve levar o Banco Central a revisar suas estimativas de hiato do produto. Ao mesmo tempo, estímulos adicionais e preocupações fiscais reduziram o espaço para cortes mais agressivos.
A inflação segue como ponto de atenção. As últimas divulgações indicaram piora qualitativa relevante, e as projeções do Banco Central devem subir levemente, reforçando que o cenário atual exige cautela. Segundo o Itaú, a autoridade monetária deve optar por um corte modesto, evitando sinalizações que possam aumentar a volatilidade dos mercados.
Mesquita ressalta que o Copom deve manter suas opções em aberto para a próxima reunião, reconhecendo que o espaço para novas calibrações é mais incerto. O relatório conclui que o ciclo de flexibilização perdeu força desde a última decisão, refletindo o delicado equilíbrio entre estimular a atividade e conter riscos inflacionários.
