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UBS projeta cenário de Selic alta por mais tempo no Brasil

Lucas Andrade
3 de junho de 2026
Crescimento resiliente, expectativas desancoradas e riscos inflacionários justificam cautela adicional

Relatório do UBS aponta que o Banco Central deve encerrar em breve o ciclo de cortes de juros e a taxa Selic precisará permanecer elevada por mais tempo. A razão está na combinação de atividade econômica resiliente, inflação de serviços persistente e expectativas de inflação cada vez mais desancoradas. O desafio não é estimular o crescimento, mas restaurar a confiança de que a inflação voltará ao centro da meta de 3%.

As projeções da pesquisa Focus já apontam inflação acima de 5% para 2026 e acima de 3,5% até 2028, sinal de que os agentes não acreditam plenamente na convergência. Esse descolamento também aparece nos títulos públicos, com inflação implícita de longo prazo acima do teto da meta. Para o UBS, isso reflete não apenas choques temporários, mas riscos domésticos persistentes ligados à política fiscal, à resiliência da demanda e à credibilidade da política monetária.

O balanço de riscos segue assimétrico para cima. A inflação de serviços continua elevada, a atividade mostra força e os estímulos fiscais e creditícios sustentam o consumo. Além disso, fatores como preços internacionais de energia, eventos climáticos e mudanças regulatórias podem pressionar ainda mais os custos. Os riscos de queda da inflação dependem quase exclusivamente de um cenário externo mais benigno, como desaceleração global ou queda de commodities.

Nesse ambiente, na avaliação instituição, comunicação e credibilidade do Banco Central tornam-se cruciais. Quanto maior a confiança de que a autoridade monetária fará o necessário, menor o custo da convergência. Mas, com expectativas afastadas da meta, o processo tende a exigir juros altos por mais tempo. O relatório conclui que a manutenção de condições monetárias restritivas é a estratégia mais consistente para reancorar expectativas, garantir a convergência da inflação e preservar a credibilidade da política monetária.

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