PATROCINADORES

Ainda há tempo para consertar e privatizar os Correios?

Aluizio Falcão Filho
4 de junho de 2026

Dono de um prejuízo literalmente bilionário, os Correios têm jeito? No último trimestre, o vermelho no balanço foi de R$ 3,1 bilhões (no ano passado, o déficit de R$ 8,5 bilhões). O governo afirma que boa parte dessas perdas vem de provisões que a Justiça mandou realizar. Mesmo assim, trata-se de uma gestão ruinosa e incompetente, que tentou produzir um plano de recuperação mal visto pelos analistas de mercado.

Ontem, o editorial do jornal “O Estado de S. Paulo” foi publicado com o seguinte título: “Só a privatização salva os Correios”. Isso é verdade. Mas o valor que o governo vai obter com uma eventual desestatização da empresa é uma fração daquilo que seria obtido anos atrás.

Quando a gestão de Jair Bolsonaro anunciou que iria vender os Correios à iniciativa privada, não faltaram candidatos para comprar o negócio. De lá para cá, porém, os postulantes óbvios – os operadores de e-commerce – criaram suas próprias estruturas de logística. Amazon e Mercado Livre, para ficar em dois nomes, montaram com parceiros bases de armazenamento e estruturas azeitadas de distribuição de mercadorias. No estágio atual, são mais eficazes que os Correios e não teriam interesse em comprar a estatal.

Restaria, portanto, aqueles que esto entrando no mercado brasileiro, um oceano para lá de vermelho. Isso teoricamente pode reduzir o preço a ser obtido em um leilão. Mas o grande problema é a ineficiência que se abateu sobre a companhia nos últimos anos.

“Diante de resultados tão ruins, seria preciso adotar um plano de recuperação muito mais ousado de corte de despesas. Desculpas como a universalização de serviços e a presença em todos os municípios do País já não colam mais, muito menos a cobrança de uma espécie de “indenização” por essas obrigações. Seria plenamente possível encontrar maneiras de executá-los com custo menor, mas isso exigiria admitir parcerias com empresas privadas”, argumenta o editorial do “Estadão”.

Há, aqui, um dilema. A empresa perdeu valor de mercado nos últimos tempos, pois os eventuais candidatos criaram suas próprias estruturas e os balanços foram péssimos durante a gestão petista. Diante de contas tão ruins, a União não obteria um bom preço de venda.

Seria o caso de recuperar os Correios primeiro e somente depois vender a estatal? Bem, para isso, teríamos de ter uma gestão primorosa, com estilo de iniciativa privada. Gestores nomeados pelo PT teriam essa pegada? Dificilmente.

Por isso, talvez a melhor solução seja passar a empresa adiante pelo preço que for possível. Dessa maneira, pelo menos, estanca-se um prejuízo bilionário. Vamos lamentar a perda de oportunidade ter vendido os Correios em um momento bem mais favorável. Mas, diante de uma companhia que tem um patrimônio negativo superior a R$ 13 bilhões, vender a empresa o mais rápido possível parece ser a única alternativa plausível.  

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve