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Bancos e varejistas lideram revolução da IA na América Latina

Rodrigo Dias
3 de junho de 2026
Relatório do Santander analisou 118 empresas da região e concluiu que inteligência artificial deixou de ser aposta futura para se tornar ferramenta concreta de produtividade, receita e vantagem competitiva

A inteligência artificial já deixou de ser apenas um tema de inovação para se tornar um diferencial competitivo mensurável entre as maiores empresas da América Latina. É o que mostra um levantamento do Santander, que avaliou a adoção da tecnologia em 118 companhias da região e identificou um grupo de líderes que vem transformando IA em ganhos reais de eficiência, crescimento e monetização. Entre os destaques estão Nubank, Itaú, Totvs, TIM e Magazine Luiza, além de companhias como Mercado Livre, Banorte, Coca-Cola FEMSA e Yduqs.

No setor financeiro, Nubank e Itaú aparecem entre os casos mais avançados. O banco digital informou que praticamente todos os seus funcionários utilizam ferramentas de inteligência artificial no dia a dia, enquanto a produtividade de suas equipes de engenharia cresceu mais de 50% em um ano. A companhia também desenvolveu o NuFormer, modelo proprietário utilizado em análises de crédito no Brasil e no México. Já o Itaú acumula mais de 500 aplicações internas de IA, que vão desde automação de processos e atendimento ao cliente até soluções integradas ao Pix e serviços de investimentos.

Entre as empresas de tecnologia, a Totvs foi apontada como uma das histórias mais promissoras da região. A companhia aposta em agentes inteligentes integrados aos sistemas de gestão empresarial para executar tarefas de forma autônoma dentro dos ERPs. Segundo o Santander, produtos relacionados à inteligência artificial já representam mais de 17% da receita da empresa e crescem em ritmo acelerado, consolidando a estratégia de transformar IA em uma nova camada de serviços para pequenas e médias empresas.

No varejo, Magazine Luiza e Mercado Livre lideram a incorporação da tecnologia às jornadas de compra. O Magalu chamou atenção pelo desenvolvimento da “Lu no WhatsApp”, assistente virtual baseada em múltiplos agentes de IA capaz de conduzir toda a experiência de compra, da busca pelo produto ao pagamento e pós-venda. O sistema já alcança cerca de 15 milhões de consumidores. No Mercado Livre, a inteligência artificial está sendo aplicada para melhorar buscas, recomendações e publicidade dentro da plataforma, enquanto o assistente do Mercado Pago já resolve a maior parte das interações dos usuários sem necessidade de atendimento humano.

Para o Santander, o avanço mais relevante não está apenas na adoção da tecnologia, mas na capacidade de transformá-la em vantagem competitiva sustentável. Empresas que combinam inteligência artificial com grandes bases de dados, relacionamento com clientes, infraestrutura robusta e escala operacional tendem a sair na frente na próxima fase da transformação digital. Nesse grupo, o banco destaca especialmente Nubank, Itaú, TIM, Banorte e Coca-Cola FEMSA como companhias que reúnem tanto maturidade em IA quanto modelos de negócios mais protegidos contra a crescente disrupção tecnológica.

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