As marcas que têm vantagem — e elenco — para passarem de fase na competição pelo lucro, de acordo com a XP
A Copa do Mundo 2026 terá um acirrado mata a mata não apenas dentro, mas fora de campo. A XP declarou aberta a competição entre as varejistas para rentabilizarem o torneio ao máximo. No chaveamento, Magalu, Casas Bahia, Shopee, Amazon e Mercado Livre disputam a atenção do consumidor com promoções de eletrodomésticos durante o torneio, especialmente de TVs. Em vestuário, a dona da Centauro, SBF, joga em casa por ter o direito comercial de comercializar produtos da Nike. Mas marcas como Renner e Alpargatas firmaram parcerias com ídolos da seleção brasileira para fortalecer vendas.
A começar pela SBF, a XP vê um claro benefício da Copa do Mundo nas vendas. No primeiro trimestre, o estoque de produtos ligados ao torneio a serem lançados mais tarde no ano levou o inventário da companhia a R$ 2,2 bilhões. No paralelo, investimentos em logística e renovação de infraestrutura aumentaram em 75% em relação a 2024.
A SBF dobrou a aposta para vender alto com a Copa — a analista Danniela Eiger, da XP, acredita que a companhia deve atingir suas metas.
“Segundo a companhia, as primeiras vendas superaram as expectativas, com itens ligados ao futebol crescendo 33% na Centauro”, escreveu a analista em relatório. “A expectativa é que SBF está melhor posicionada para capturar a demanda neste ano, aproveitando o calendário da Copa, que será maior, e melhora nas lojas físicas e na operação”, afirma Eiger. Uma análise de inventário mostra que a camisa da seleção oficial, a ser usada pelos próprios jogadores em campo, esgotou nos tamanhos S, M e L no dia 27 de maio. É o item mais caro vendido pela Centauro, custando R$ 750.
Para bater de frente com a SBF, a Renner lançou duas parcerias estratégicas: uma com o ídolo Ronaldinho Gaúcho para o lançamento de uma linha profissional com o icônico 10 da Copa de 2002 estampado na traseira de camisetas e moletons. A outra é uma aposta no “Brazilcore”, com a marca Guaraná Antártica, para a venda de vestuário focado em brasilidade.
A Alpargatas também se movimenta para passar de fase na competição. O jogador Vini Jr será um dos embaixadores mundiais da marca Havaianas, estrelando a campanha “Molho Brasileiro”. A XP destaca a coleção de chinelos lançada na Europa — a 32 euros — e nos Estados Unidos — custando US$ 32 —, inspirada em 12 seleções do evento. A XP vê um claro foco de expansão internacional da marca.
No varejo eletrônico e de linha branca e aparelhos, a analista vê Amazon e Mercado Livre como favoritos. A plataforma argentina tem Neymar Jr, cuja convocação é um ponto que deve impulsionar ainda mais vendas, como garoto propaganda. O Mercado Livre criou uma figurinha dourada do craque, já que o colecionável não apareceu na primeira versão do álbum oficial da Copa do Mundo. Esse item esgotou em duas horas após subir na plataforma.
A coincidência que deve dar fôlego para a Amazon neste ano é de que seu famoso Prime Day irá acontecer durante a Copa. A XP vê um incremento de demanda na data promocional em razão do torneio, mas não acaba por aí: um acordo com a CBF para lançar camisetas oficiais sem o patrocínio da Nike deve impulsionar ainda mais as vendas.
A XP, por fim, destaca que Farm e Reserva, marcas da Azzas 2154, devem focar no costumeiro público de alta renda, priorizando estética sobre volume nas vendas. Os analistas veem a Riachuelo e C&A brigando pelo consumidor baixa renda. A Guararapes tem uma ligeira vantagem neste sentido, por uma colaboração com a marca PIET, famosa no streetwear.
