Boletim de MONEY REPORT sobre questões ambientais, sociais e de governança no mundo dos negócios
ESG chega aos hotéis
O Hotelier News e a Arbache Consulting lançam em São Paulo o Hub ESG Hotel Business, plataforma voltada a conexões, conteúdo e negócios para lideranças da hotelaria. A iniciativa pretende reunir empresas, instituições públicas e privadas, academia e associações para discutir sustentabilidade, governança e impacto social no setor. O hub deve abordar temas como eficiência energética, consumo de água, alimentos e bebidas, gestão de resíduos e redução de custos.
Copa mede emissões

A Copa do Mundo de 2026, sediada por Canadá, Estados Unidos e México, pode gerar a maior pegada de carbono da história do esporte internacional. Segundo cálculos de pesquisadores da Universidade de Lausanne, na Suíça, o torneio deve emitir entre 5 milhões e 9 milhões de toneladas de CO₂, acima das edições da Rússia, em 2018, e do Catar, em 2022. O aumento está ligado à expansão de 32 para 48 seleções, às 40 partidas adicionais e às longas distâncias entre cidades-sede, que ampliam deslocamentos de equipes, torcedores, imprensa e dirigentes.
Camiseta gera descarte
Estudo do Instituto SINTEF Industry e da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) estima que 44% do material usado na fabricação de camisetas de algodão é perdido ainda nas etapas de produção. A pesquisa analisou o ciclo de vida das fibras e aponta que, no cenário atual, apenas 17% do material original pode ser reciclado e reutilizado em uma nova camiseta. Segundo os pesquisadores, processos mais eficientes poderiam elevar esse reaproveitamento para 44%, reduzir emissões de gases de efeito estufa em cerca de 10% e diminuir outros impactos ambientais entre 20% e 25%.
Plástico vira quiosque

A Fuplastic desenvolveu para a Rap10, marca da Bimbo Brasil, um quiosque construído com 1.000 blocos de plástico reciclado. A estrutura, instalada no Parque Ibirapuera, em São Paulo, reaproveitou cerca de 500 quilos de resíduos plásticos. O projeto integra a estratégia da Fuplastic de oferecer soluções construtivas com blocos modulares reciclados e a ação da Rap10 voltada a experiências de consumo em espaços públicos.
Leilão contra descarte
A Sodré Santoro afirma destinar cerca de 16 mil toneladas de sucata veicular por ano por meio de seus leilões. Os materiais, em grande parte provenientes de seguradoras, seguem para recicladores e desmanches credenciados, com reaproveitamento de aço, alumínio, plásticos e componentes eletrônicos. A empresa também informa que vende aproximadamente 1.500 lotes mensais de bens com potencial de reuso, como veículos, máquinas, equipamentos e eletrônicos.
Barcos sob pressão

Pesquisas da Chalmers University of Technology, publicadas na revista Marine Pollution Bulletin, indicam que tintas anti-incrustantes usadas em embarcações continuam liberando biocidas e metais, como cobre e zinco, em áreas costeiras e portuárias. A Fluvimar afirma ter adotado mudanças em seus processos, como substituição de adesivos por pintura, uso de estufas com filtragem e reaproveitamento de cerca de três toneladas de plástico por ano em estruturas de flutuação com garrafas PET.
Oceanos no radar
A transição para a chamada blue economy, ou economia azul, ganhou espaço diante da pressão sobre recursos marinhos. Segundo a Global School of Sustainability at LSE, a economia dos oceanos movimentava cerca de US$ 1,5 trilhão e pode chegar a US$ 3 trilhões até 2030. Liu Berman, do Movimento Reinventando Futuros e da LB Cultura Circular, afirma que o setor precisa acelerar a adequação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 14, ligado à vida na água.
Menos Mata Atlântica derrubada
O Estado de São Paulo reduziu o desmatamento da Mata Atlântica de 49 para 35 hectares entre os períodos de 2023-2024 e 2024-2025. Os dados são do Atlas da Mata Atlântica 2024-2025, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo o levantamento, o resultado representa queda de 29% e o menor índice registrado no estado nos últimos anos.
Eco Invest amplia rodada
O governo federal lançou o quinto leilão do Eco Invest Brasil, programa voltado a atrair capital privado para projetos de sustentabilidade, com previsão de seis fundos de inovação em áreas como fertilizantes verdes, minerais críticos, baterias, biocombustíveis, química verde e inteligência artificial. Segundo a Folha de S.Paulo, o Tesouro deve aportar R$ 1,5 bilhão em cada cadeia, com potencial de mobilizar até R$ 55 bilhões se houver propostas em todas as áreas. O governo também divulgou o resultado da quarta rodada, voltada à Amazônia Legal, com propostas de Bradesco, ABC Brasil, BTG Pactual e Banco do Brasil, R$ 3,1 bilhões em capital catalítico e expectativa de viabilizar R$ 13,2 bilhões em investimentos.
Rodovias terão energia solar
A Motiva assinou contrato de dois anos com a FIT Energia, empresa do grupo Santander, para fornecimento de energia solar por geração distribuída a concessões rodoviárias em São Paulo e no Paraná. O acordo contempla inicialmente 2.636 MWh por ano para 293 unidades consumidoras, com potencial de expansão para 11.231 MWh anuais e até 350 pontos de consumo. A parceria nos pedágios deve gerar redução média de 22% nos custos de energia e evitar 479 toneladas de CO₂ por ano.
IA pede data centers verdes

A RT-One, empresa de tecnologia que atua em inteligência artificial, cibersegurança e computação em nuvem, aponta que a expansão da IA amplia a demanda por data centers. Segundo Fernando Palamone, CEO da companhia, modelos antigos de resfriamento podem consumir cerca de 1,5 litro de água por quilowatt-hora. A empresa afirma que tecnologias como resfriamento líquido em circuito fechado, conhecido como direct-to-chip, reduzem o uso de água ao recircular o fluido usado para retirar calor dos servidores.
Selo para mobilidade
A Fundação Vanzolini lançou o Selo Acolhe, certificação para estabelecimentos comerciais e de serviços que ofereçam condições adequadas a pessoas idosas e com baixa mobilidade. A chancela considera requisitos baseados nas normas ABNT NBR 9050 e NBR 9077, incluindo acessibilidade física, rotas de saída, atendimento, conforto sensorial e gestão do ambiente. O selo pode ser aplicado a restaurantes, bares, hospitais, clínicas, supermercados, shoppings, farmácias, bancos e hotéis.
Consumidor cobra prova
Estudo da Ilumeo, em parceria com Ecomunica e Weleda, ouviu 760 pessoas entre março e abril de 2026 e indicou que apenas 18% dos consumidores acreditam que empresas cumprem o que prometem em sustentabilidade. O levantamento também aponta que 49% deixariam de comprar de uma companhia ao descobrir que ela não é sustentável. Entre os entrevistados, 57% usam selos e certificações como principal fonte de informação sobre o tema.
Aviação com impacto

O Catarina Aviation Show 2026, organizado pela JHSF em parceria com a NürnbergMesse Brasil e apresentado pelo Bradesco Global Private, incluiu ações voltadas ao Onçafari e ao GRAACC. Durante o evento, uma escultura de onça-pintada pintada ao vivo pela artista Fabiana Kaled foi anunciada para leilão, com renda destinada ao Onçafari, projeto de conservação criado por Mario Haberfeld. A programação também destinou parte da arrecadação dos restaurantes Trattoria Fasano e Gero Panini ao GRAACC, além de uma doação direta da JHSF ao hospital especializado em câncer infantojuvenil.
Bmg destina 1% para causas socioambientais
O Banco Bmg formalizou a destinação de 1% de seu lucro líquido anual para investimento social privado ao aderir ao Compromisso 1%, iniciativa do IDIS e do Instituto MOL. Com a adesão, a instituição se torna o primeiro banco do país a integrar o movimento. Em 2025, o Bmg registrou lucro líquido de R$ 561 milhões, o que representaria mais de R$ 5 milhões destinados a causas sociais, considerando a mesma base de cálculo.
Fôlego para mídias negras

O Olabi lança em 10 de junho o Semeando Futuros, formação online e gratuita voltada a gestores de mídias lideradas por pessoas negras, indígenas e quilombolas com faturamento mensal de até R$ 100 mil. A iniciativa é realizada em parceria com a Secretaria de Políticas Digitais da Secom da Presidência e apoio do governo do Reino Unido. O curso terá 21 horas em sete encontros e abordará sustentabilidade financeira, diversificação de receitas, governança, publicidade oficial, financiamento institucional e gestão financeira. Ao final, cada organização deverá elaborar um plano de ação, e o projeto também prevê uma cartilha digital gratuita.
