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NR-1 coloca saúde mental na conta das empresas

Lorena Scavone Giron
26 de maio de 2026
A partir desta terça-feira, companhias terão de monitorar riscos psicossociais, como burnout, assédio, pressão por metas e sobrecarga no trabalho

A atualização da NR-1, norma do Ministério do Trabalho e Emprego que define diretrizes de segurança e saúde ocupacional, passa a incluir de forma mais direta os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A partir desta terça-feira (26), empresas terão de monitorar fatores como burnout, ansiedade, assédio moral, pressão excessiva por metas e sobrecarga.

Na prática, esses fatores passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais das companhias. As empresas terão de mapear situações que possam levar ao adoecimento mental dos trabalhadores, adotar medidas de prevenção, capacitar lideranças, criar canais de escuta e acompanhar indicadores internos.

“A atualização da NR-1 amplia a responsabilidade das empresas na gestão de riscos ocupacionais ao incluir de forma mais clara os riscos psicossociais”, afirma Viviane Alvarenga, diretora de Gente & Gestão da Febrafar e da Farmarcas. Para ela, o desafio é transformar ações isoladas em processos contínuos de gestão.

A cobrança ocorre em meio ao avanço dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil. Só em 2025, o Ministério da Previdência Social concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, o maior volume da série histórica.

Para Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, a adequação precisa ser prática e documentada. “A exigência não começa em 2026, ela já está valendo desde 2025. O que muda agora é o nível de cobrança. As empresas precisam demonstrar que mapearam riscos, implementaram medidas preventivas e acompanham resultados”, diz.

O descumprimento pode gerar autuações, aumento de custos e maior exposição a processos trabalhistas. Segundo o advogado trabalhista Mourival Boaventura Ribeiro, empresas que não implementarem corretamente as medidas podem ser multadas e ter aumento no Fator Acidentário de Prevenção, o que eleva custos com seguros e encargos.

Especialistas alertam, porém, que o tema não deve ser tratado apenas como uma obrigação formal. Para Mari Viana, CEO da Gestão Consciente, a NR-1 expõe falhas no modelo de gestão das empresas. “Não existe solução real para os riscos psicossociais sem revisar o próprio sistema de gestão”, afirma.

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