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Marcas perdem espaço e oportunidades ao subestimar economia prateada

Lorena Scavone Giron
25 de maio de 2026
Público acima de 50 anos movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano, mas ainda é tratado como nicho por boa parte das empresas

Enquanto muitas marcas concentram esforços para conquistar a Geração Z, um grupo com maior poder de consumo segue subestimado pelas estratégias de comunicação e negócios no Brasil: os consumidores maduros. A chamada economia prateada, formada pelo público acima de 50 anos, movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no país, segundo estudo da consultoria Data8.

O valor equivale a aproximadamente 25% do consumo das famílias brasileiras e tende a ganhar ainda mais relevância nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento da longevidade e pela permanência desse público em atividades de trabalho, lazer, turismo, cultura, tecnologia e serviços financeiros.

Apesar da escala, o mercado ainda costuma tratar o consumidor 50+ como uma categoria secundária, quando não de forma estereotipada. A leitura limitada sobre esse público aparece em campanhas pouco realistas, produtos mal adaptados e estratégias que associam maturidade apenas a saúde, aposentadoria ou dependência.

Na prática, especialistas apontam que esse consumidor é mais diverso, digitalizado e ativo do que a publicidade costuma retratar. Trata-se de um grupo que influencia decisões de compra da família, consome serviços, viaja, investe, empreende e valoriza marcas que se comunicam com clareza, respeito e autenticidade.

“O erro está em olhar para esse público como nicho. Na prática, estamos falando de escala e recorrência de consumo. Enquanto o mercado disputa atenção no curto prazo, existe um crescimento consistente acontecendo na base da pirâmide etária”, afirma Mórris Litvak, fundador e CEO da Maturi, empresa especializada em longevidade e diversidade etária.

O desafio para as empresas não está apenas em vender para consumidores mais velhos, mas em rever a forma como esse público é compreendido. A longevidade ainda aparece em muitas companhias como pauta de diversidade ou responsabilidade social, quando já se tornou uma variável de crescimento, inovação e posicionamento competitivo.

“A diversidade etária ainda é pouco explorada como estratégia de negócio. Quando bem trabalhada, ela impacta inovação, comunicação e resultado”, diz Litvak.

A mudança demográfica também pressiona setores como varejo, turismo, saúde, beleza, tecnologia, seguros e mercado financeiro. Com um público mais conectado e exigente, empresas precisam abandonar abordagens paternalistas e investir em produtos, linguagem e canais compatíveis com a realidade desse consumidor.

Para Thais Medina, CEO da Business Factory e especialista em marketing e turismo, o primeiro erro das marcas é reduzir o público sênior à idade. Segundo ela, os consumidores maduros querem ser reconhecidos por seus hábitos, escolhas e estilos de vida, sem generalizações.

O ambiente digital reforça essa transformação. O uso de plataformas como WhatsApp, YouTube e Facebook entre pessoas mais velhas mostra que a comunicação com esse público não pode ser pensada fora do celular ou baseada em formatos ultrapassados. Mais do que estar presente nos canais, as marcas precisam produzir conteúdos úteis, claros e relevantes.

Também cresce a discussão sobre a presença de profissionais mais velhos nas equipes de marketing e criação. A ausência de diversidade etária nas decisões internas ajuda a explicar por que tantas campanhas ainda falam sobre longevidade com pouca precisão e excesso de clichês.

O avanço da economia prateada indica uma mudança estrutural no consumo brasileiro. Para as empresas, ignorar esse movimento deixa de ser apenas uma falha de comunicação e passa a representar risco de perda de mercado. Em um país que envelhece rapidamente, tratar o consumidor maduro como exceção é, cada vez mais, um erro estratégico.

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