Mercado revisou para cima a estimativa de inflação neste ano pela 11ª semana seguida, ao mesmo tempo em que reduziu a projeção para o dólar
O Boletim Focus divulgado nesta segunda‑feira (25) pelo Banco Central (BC) mostra que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 saiu de 4,92% para 5,04%, marcando a 11ª alta consecutiva das expectativas. Para 2027, a estimativa subiu de 4% para 4,01%, e, para 2028 e 2029, ficou estável em 3,65% e 3,50%, respectivamente, indicando que o mercado ainda vê a meta de 3% como desafio no médio prazo. Ao mesmo tempo, as projeções para o IGP‑M de 2026 avançaram de 5,63% para 5,91%, reforçando a pressão de preços em setores sensíveis a commodities e custos de produção.
Quanto ao crescimento da economia, a expectativa para o PIB de 2026 subiu de 1,85% para 1,89%, enquanto a projeção para 2027 recuou de 1,77% para 1,70%. Já para 2028 e 2029, a mediana permanece em 2% há, respectivamente, 115 e 62 semanas, o que sinaliza visão de crescimento moderado e estável no médio prazo. O cenário combina uma inflação acima da meta com uma expansão modesta da atividade, o que tende a condicionar o ritmo de corte de juros nos próximos anos.
No campo externo, o Focus registrou nova queda na projeção para o dólar: a mediana para 2026 passou de R$ 5,20 para R$ 5,17, após quatro semanas em torno de R$ 5,25. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,27 para R$ 5,26; para 2028, de R$ 5,34 para R$ 5,30; e, para 2029, permaneceu inalterada em R$ 5,40. O cenário cambial mais favorável, porém ainda acima de R$ 5,00, reflete confiança em fluxo de capitais e balança mais equilibrada, mas foge da zona considerada “barata” para o setor exportador.
Na política monetária, a projeção para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano, após quatro semanas em torno de 13%. Para 2027, a mediana seguiu em 11,25%, e para 2028 e 2029 em 10%, indicando que o mercado ainda espera juros altos, mesmo com um cenário de desaceleração gradual da inflação. Com a meta de inflação oficial em 3% e a projeção de 2026 em 5,04%, o Copom segue sob pressão para equilibrar combate à inflação, sustentação do crescimento e manutenção da estabilidade cambial.
