Setor farmacêutico virou o novo alvo das quadrilhas
O primeiro trimestre de 2026 trouxe uma mudança significativa no perfil dos roubos de carga no país. Segundo estudo elaborado pela nstech, empresa de software para supply chain, o crime deixou de priorizar volume e passou a mirar valor e liquidez, com destaque para medicamentos, que saltaram de 1,7% das ocorrências em 2025 para 22,3% neste ano. Quase metade das perdas em cargas avaliadas acima de R$ 1 milhão veio do setor farmacêutico, consolidando o novo alvo das quadrilhas.
O Sudeste voltou a dominar o mapa do risco, concentrando 78,2% dos prejuízos nacionais. O estado do Rio de Janeiro lidera com folga, responsável por 44% das perdas, e se tornou epicentro da criminalidade logística. Em contrapartida, o Norte praticamente zerou as ocorrências, enquanto o Nordeste cresceu para 20,2%, puxado pela Bahia, que saltou de 0,7% para 9,2%.
Outro dado relevante é a migração para áreas urbanas. No Rio, 60,7% dos roubos ocorreram em trechos urbanos, e no cenário nacional a participação da “última milha” dobrou, passando de 18,9% para 38,5%. O calendário do crime também mudou: quintas-feiras concentram 30% dos prejuízos, seguidas por segundas e terças. Madrugada e manhã são os períodos mais críticos, e rodovias como BR-101 e BR-116 voltaram ao radar.
Apesar do avanço das quadrilhas, avalia a empresa de software para supply chain, a tecnologia tem se mostrado decisiva. Entre janeiro e março, o ecossistema da nstech evitou mais de R$ 72 milhões em prejuízos, mesmo com aumento de 13% no volume de mercadorias gerenciadas. A recuperação de cargas cresceu 9%, reforçando que inteligência aplicada e integração de dados são hoje a principal arma contra o risco logístico.
