Analistas sinalizam juros mais altos ao longo do ano diante de inflação resistente e incertezas sobre atividade econômica
O mercado financeiro revisou para cima suas projeções para a inflação em 2026 e passou a estimar uma taxa Selic média mais alta no ano, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (18). Economistas consultados pelo Banco Central (BC) elevaram a previsão do IPCA para 4,92% em 2026, acima da estimativa anterior, enquanto a Selic média projetada subiu para 13,25%.
A leitura reflete sinais de inflação mais resistente do que o esperado, que forçaram analistas ajustarem estimativas de juros ao longo do horizonte. A alta das expectativas ocorre em um cenário de pressões sobre preços e incertezas sobre o desempenho da atividade econômica, o que, na visão do mercado, justifica uma trajetória de juros mais elevada para garantir ancoragem das expectativas. Outros indicadores levantados pelo Boletim Focus também apresentaram movimentos relevantes:
A projeção para o crescimento do PIB em 2026 foi mantida em 1,85% pela terceira semana consecutiva. Para 2027, a expectativa subiu de 1,76% para 1,77%, interrompendo um período de estabilidade. A estimativa para o dólar neste ano permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, a projeção recuou de R$ 5,30 para R$ 5,27.
Analistas consultados destacam que a evolução dos preços administrados, reajustes de serviços e avanços na demanda podem manter a inflação acima do centro da meta, exigindo vigilância do Comitê de Política Monetária (Copom). Por outro lado, riscos externos — como mudanças nos preços de commodities e condições financeiras globais — ainda podem alterar o balanço de riscos e provocar novas revisões.
Com a nova mediana da Selic em 13,25% para 2026, investidores devem calibrar estratégias considerando maior custo do capital e possível redução de apetite por ativos de maior risco, enquanto empresas e consumidores enfrentarão um ambiente de crédito mais caro.
