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Escritórios entram na era da obra imprevisível

Lorena Scavone Giron
14 de maio de 2026
Alta do cobre, guerra comercial, IA e falta de mão de obra elevam custo de montagem corporativa no mundo

Montar ou reformar um escritório virou um quebra-cabeça global de custos, tecnologia e logística. Um levantamento da JLL mostra que os projetos corporativos ficaram entre 2% e 6% mais caros no último ano em praticamente todas as regiões do mundo, pressionados por uma combinação de tensões geopolíticas, escassez de profissionais especializados e novas exigências tecnológicas.

Segundo o relatório Global Office Fit-Out Cost Guide 2026, o custo médio global para implantação de um escritório de padrão intermediário chegou a US$ 2.150 por metro quadrado. O estudo analisou 68 cidades em 40 países.


O aumento vai além da inflação tradicional de materiais. A disseminação de estruturas voltadas à inteligência artificial, sistemas híbridos de trabalho e infraestrutura digital mais robusta elevou o peso dos componentes tecnológicos dentro das obras corporativas.

Ao mesmo tempo, gargalos na cadeia de suprimentos e tarifas comerciais passaram a gerar volatilidade nos orçamentos. Segundo a pesquisa, 62% dos mercados analisados citaram tarifas e restrições comerciais dos Estados Unidos como fator relevante de pressão nos custos.

Os sistemas mecânicos e elétricos, conhecidos como M&E, se tornaram o principal centro de impacto financeiro dos projetos e já representam até 37% do custo total das obras. Em seguida aparecem as intervenções civis, como pisos, divisórias e acabamentos, que respondem por cerca de 29% dos gastos.

A escassez de mão de obra qualificada também pesa sobre o setor. Mais da metade dos mercados avaliados pela JLL relatou dificuldade para encontrar profissionais especializados, especialmente em áreas ligadas à instalação elétrica, automação e tecnologia embarcada.

Na América Latina, o custo médio dos projetos corporativos ficou em US$ 1.800 por metro quadrado, acima da média da Ásia-Pacífico, mas ainda distante da América do Norte, região mais cara do mundo para escritórios, com média de US$ 3.200/m².

São Paulo aparece entre os mercados monitorados pela consultoria e reflete parte das pressões globais. A dependência de equipamentos importados, variação cambial e prazos de fornecimento ampliam a dificuldade de prever o custo final das obras corporativas no país.

“O custo de um projeto pode mudar entre a aprovação do orçamento e o início da obra”, afirmou Helena Diodatti, diretora de Projetos e Obras para Escritórios da JLL Brasil. Segundo ela, o mercado brasileiro enfrenta o desafio de executar projetos com padrão internacional em um ambiente marcado por volatilidade cambial e dependência de fornecedores externos.

Diante do cenário, a JLL aponta que planejamento financeiro e negociação antecipada com fornecedores passaram a ser fatores decisivos para reduzir exposição à volatilidade. O relatório destaca ainda que mudanças no layout corporativo podem alterar o custo total de um projeto entre 10% e 13% antes mesmo da escolha dos acabamentos.

Tags: escritórios, JLL, mercado imobiliário, obras corporativas, inteligência artificial, construção civil, custos, escritórios híbridos, tecnologia, São Paulo

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