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Desenrola reduz inadimplência, mas não impulsiona crédito nem consumo, diz BTG

Rodrigo Dias
12 de maio de 2026
Relatório do banco aponta que renegociação de dívidas ajudou a desacelerar a deterioração financeira das famílias, mas não resultou na retomada do crédito para os beneficiários do programa

O programa Desenrola Brasil conseguiu reduzir a inadimplência entre famílias de baixa renda, mas não gerou expansão relevante do crédito nem aumento do consumo entre os beneficiários. A conclusão consta em relatório divulgado pelo BTG Pactual nesta terça-feira (12), que analisou os efeitos da primeira versão do programa e projetou possíveis impactos do novo Desenrola 2.0 sobre a situação financeira das famílias brasileiras.

Segundo o banco, o Desenrola 2.0 poderá alcançar até R$ 62,7 bilhões em dívidas elegíveis para renegociação, concentradas principalmente em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A nova fase do programa prevê descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e possibilidade de uso do FGTS para abatimento das dívidas. O público-alvo inclui pessoas com renda de até cinco salários mínimos e débitos contratados até janeiro de 2026.

Na avaliação dos economistas do BTG, a experiência da primeira edição do Desenrola mostrou que o programa teve impacto importante na desaceleração dos atrasos superiores a 90 dias, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis. O estudo aponta que, após o início da iniciativa em 2023, houve queda relativa da inadimplência nas modalidades de cartão de crédito e crédito pessoal. Em um dos modelos econométricos utilizados pelo banco, a Faixa 1 apresentou redução de 13,6% no saldo vencido acima de 90 dias, enquanto a Faixa 2 registrou queda de 17,5%.

Apesar da melhora nos indicadores de inadimplência, o relatório afirma que não houve retomada do crédito para os beneficiários do programa. Pelo contrário: os dados mostram retração relativa da carteira ativa de crédito nas faixas atendidas pelo Desenrola. Segundo o BTG, isso sugere que os bancos passaram a direcionar novas concessões para clientes considerados menos arriscados, enquanto os participantes do programa permaneceram comprometidos com o pagamento das parcelas renegociadas.

O banco também destaca que o Desenrola não teve efeito positivo sobre o consumo das famílias beneficiadas. Utilizando o uso do cartão de crédito à vista como indicador de consumo discricionário, o estudo identificou queda de 8,2% na Faixa 1 e de 12% na Faixa 2 após o programa.

Na avaliação do BTG, os resultados reforçam a percepção de que a renegociação ajudou a aliviar a alavancagem financeira das famílias, mas não aumentou a renda disponível nem gerou melhora imediata do bem-estar econômico.

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