CEO Vincent Clerc afirma que demanda global segue resiliente apesar da volatilidade e destaca ganhos de eficiência operacional como principal fator de sustentação da companhia
A dinamarquesa Maersk iniciou 2026 com crescimento de volumes em todas as suas divisões de negócios, em um cenário ainda marcado por excesso de capacidade no transporte marítimo global e pressão sobre as tarifas de frete. Para o CEO Vincent Clerc, o desempenho do primeiro trimestre reforça a capacidade operacional da companhia em meio às incertezas do comércio internacional.
“Vimos forte demanda na maioria das regiões neste trimestre”, afirmou o executivo ao comentar os resultados divulgados nesta quinta-feira (7). Segundo Clerc, a prioridade da empresa continua sendo manter proximidade com os clientes e ampliar a resiliência das cadeias globais de suprimentos diante das disrupções geopolíticas e logísticas.
O executivo destacou ainda que a flexibilidade da rede marítima da Maersk ajudou a reduzir custos unitários em 7%, mesmo com impactos indiretos do conflito no Oriente Médio sobre o setor. A companhia também informou que mantém sua projeção de crescimento entre 2% e 4% para o mercado global de contêineres em 2026.
Os dados financeiros, porém, mostram um ambiente mais desafiador para a operação marítima. A Maersk registrou Ebit de US$ 340 milhões no primeiro trimestre, queda ante os US$ 1,25 bilhão reportados no mesmo período do ano passado. A receita consolidada recuou 2,6%, para US$ 13 bilhões, pressionada principalmente pela redução de 14% nas tarifas médias de frete na divisão Ocean. O segmento marítimo teve prejuízo operacional de US$ 192 milhões, apesar do crescimento de 9,3% no volume transportado e da taxa de utilização das embarcações ter alcançado 96%.
Enquanto a área de navegação sofreu com o excesso de oferta global de navios, as divisões de Terminals e Logistics & Services sustentaram parte dos resultados do grupo. O negócio de terminais registrou Ebit de US$ 436 milhões, alta de 11% na comparação anual, impulsionado pelo avanço de 4,3% na movimentação de contêineres. Já a unidade de logística e serviços elevou o Ebit em 22%, para US$ 173 milhões, apoiada por ganhos operacionais e expansão em armazenagem, transporte aéreo e soluções integradas.
Mesmo com a queda na rentabilidade, a Maersk manteve sua orientação financeira para 2026 e segue apostando em eficiência operacional, automação logística e renovação de frota para enfrentar a volatilidade do mercado marítimo global. A empresa também deu continuidade ao programa de recompra de ações de US$ 1 bilhão anunciado anteriormente.
