PATROCINADORES

Zema lança novo vídeo e vai para o tudo ou nada

Aluizio Falcão Filho
26 de abril de 2026

Ontem, o ex-governador Romeu Zema partiu para o tudo ou nada em sua pendenga contra o Supremo Tribunal Federal. Ou melhor, mirou sua bazuca digital diretamente nos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes em mais um vídeo de fantoches da série “Os Intocáveis”. O ex-governador parece cutucar a onça com a vara curta – ou curtíssima – e provoca a alta corte como ninguém nunca fez antes neste país.

Zema capturou como nenhum outro candidato a insatisfação latente que existe em relação a determinados juízes e estabeleceu uma estratégia de ataques que turbinaram sua popularidade. De acordo com o levantamento da consultoria Bites, ele consolidou-se como o principal nome de oposição nas redes sociais ao alcançar 7,7 milhões de interações e atrair 494.000 novos seguidores na última semana.

Para se ter uma ideia, no mesmo período, ele superou o engajamento nas redes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (3,9 milhões) e do senador Flávio Bolsonaro (3,7 milhões), que lideram as pesquisas eleitorais. O pré-candidato do Partido Novo conseguiu converter o embate institucional em um valioso ativo político, alcançando marcas de curtidas que sinalizam uma forte mobilização de nichos da direita indignados com a Corte (e muito provavelmente outros segmentos da população fora da bolha direitista).

É preciso esperar pelas novas pesquisas para sabermos se essa popularidade digital vai se converter em votos. De qualquer forma, é de se esperar um crescimento nas enquetes, que mostravam-no até pouco tempo atrás estacionado na casa dos três pontos percentuais.

Até agora, muitos analistas achavam que a atuação do ex-governador era um jogo de cena para auxiliar a candidatura do senador Flávio. Mas, dependendo das próximas pesquisas, Zema pode ganhar um impulso que o colocaria como um postulante com chances, deixando o ex-governador Ronaldo Caiado para trás. Mas isso, por enquanto, é pura especulação e precisa ser comprovado pelos institutos de opinião.

Mas e se Zema for preso por ordem do STF?

Há boatos circulando que dão como certa a intenção de encarcerar o candidato mineiro. Mas isso vai depender de um malabarismo jurídico difícil de ser engolido pela sociedade.

Para piorar a percepção do público em relação ao Supremo, o ministro Gilmar Mendes acabou escorregando em suas declarações recentes e flertou com o desastre ao comparar as críticas de Zema à possibilidade de chamá-lo de homossexual. Outro deslize foi criticar o “mineirês” do ex-governador, comparando a um dialeto incompreensível, o que levantou a ira de muitos brasileiros originários de Minas Gerais.

Caso Zema sofra sanções pesadas, vai se tornar um herói da direita (e de parte do centro). Mas, ainda assim, é difícil competir com o protagonismo de Flávio, que é o representante daquele se mostra como o político mais perseguido pelo Supremo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.

A situação coloca Romeu Zema diante de um caminho estreito. Ele ganhou visibilidade ao desafiar o Supremo e ao explorar um sentimento de desconforto que parte da população manifesta em relação à Corte. Esse movimento o transformou em um nome reconhecido nacionalmente, algo que ele não havia alcançado durante seus dois mandatos em Minas Gerais. A dúvida é se essa exposição será suficiente para convertê-lo em um candidato competitivo em um cenário dominado por figuras mais consolidadas.

Zema tem a seu favor a capacidade de dialogar com eleitores que buscam uma alternativa ao confronto tradicional entre lulistas e bolsonaristas. Também conta com o fato de que sua imagem ainda é relativamente nova no debate nacional, o que lhe permite ocupar um espaço que outros nomes da direita não conseguiram preencher. A desvantagem é que ele depende de um crescimento rápido e consistente para se firmar como opção real, algo que só poderá ser medido quando as próximas pesquisas forem divulgadas.

Se conseguir transformar a mobilização digital em apoio concreto, o canditado mineiro pode se tornar um fator relevante na disputa e alterar a dinâmica entre os candidatos mais bem posicionados. Caso contrário, sua atuação tende a reforçar apenas a narrativa de enfrentamento ao Supremo, sem produzir efeitos duradouros sobre o eleitorado. O que está em jogo agora é saber se a estratégia de confronto que o impulsionou nas redes será suficiente para sustentá-lo em uma corrida presidencial marcada por forte polarização e por um eleitorado que costuma privilegiar nomes (ou sobrenomes) já testados em disputas nacionais.

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve