Bolsa do Brasil continua barata e ganhou atração por estar menos exposta à IA e tecnologia
A Copa do Mundo de 2026 vem atraindo novos turistas do outro lado do hemisfério, enquanto o Brasil puxa neste ano um saldo positivo de investidores estrangeiros. Guerra, ciclo de crédito privado contaminado por companhias de software e outros motivos trazem os investidores institucionais, o smart money de Ásia, América do Norte e Europa, para o país tropical.
Em relatório, o Itaú BBA citou pelo menos cinco motivos dos investidores estrangeiros que justificam a entrada recorde de R$ 65 bilhões na bolsa de valores brasileira. Em relatório, analistas do banco de investimentos detalharam o que ouviram dos fundos em mesas redondas no exterior.
O primeiro já é um bordão clássico dos investidores otimistas com a renda variável no Brasil: a bolsa está barata. Apesar da alta agregada de pouco mais 18% no ano, o Ibovespa continua negociando a um múltiplo de preço sobre lucro de ações (P/L) abaixo de 10 vezes. As avaliações de hedge funds, fundos soberanos e de pensão de fora do Brasil é de que a bolsa brasileira opera em um desconto de 5% em relação à média histórica, com pares globais operando em ágio de 10%. Além disso dois terços dos papéis das companhias listadas estão negociados abaixo de suas médias históricas.
O ciclo de juros no Brasil é um dos únicos do mundo a ter viés de queda, partindo de uma taxa real alta, elencaram os estrangeiros. O Itaú BBA espera uma Selic terminal de 13% até o final de 2026.
Sem a presença marcada por investidores locais ou guerras em países vizinhos, tornou-se um destino de capital para os médio e longo prazos. O Itaú BBA ainda ouviu em consenso que a baixa exposição do principal índice do Brasil à tecnologia e às teses de investimento ligadas à inteligência artificial jogam a favor da bolsa. Com a alta do preço do barril de petróleo no exterior, o grande peso das commodities no Ibovespa também entrou no radar do smart money gringo.
“Em geral, estrangeiros gostam do setor financeiro, de commodities e, mais recentemente, de serviços públicos e utilidades”, disseram analistas do Itaú BBA liderados por Daniel Gewehr, estrategista-chefe do banco de investimentos, ao reforçarem sua recomendação de alocação em bolsa no Brasil.
