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Como a “taxa das blusinhas” escancarou a crise nos Correios

Da redação
25 de abril de 2026
Receita da estatal com encomendas internacionais teve queda de 63,6% entre 2025 e 2023, após aumento de imposto sobre compras vindas do exterior

A famigerada “taxa das blusinhas” escancarou de vez a crise vivida pelos Correios. A estatal de correspondências e entrega de bens viu sua receita com a distribuição de encomendas internacionais cair de 22% em 2023 para 7,8% em 2025. A queda na fonte de arrecadação foi causada pelo programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que terminou com o monopólio dos Correios na logística de compras internacionais.

De acordo com o g1, um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) dos Correios aponta a criação do Remessa Conforme como pivô de uma queda acumulada de R$ 3,13 bilhões em receita entre 2023 e 2025. “A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de “monopólio” para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade”, afirmou Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, diretora financeira dos Correios, em documento.

Segundo um memorando interno da companhia, a taxa das blusinhas criou um “ciclo vicioso de prejuízos” aos Correios desde que foi implementada, porque fez com que a estatal perdesse clientes e fornecedores. Com o Remessa Conforme, varejistas e empresas de logística passaram a ter acesso ao frete de mercadorias internacionais, disputando mercado com os Correios.

“Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”, concluiu Bezerra de Macedo.

Os Correios agora respiram por aparelhos e tiveram que sofrer uma interferência do Ministério da Fazenda para continuarem em pé. Em resultado divulgado na quinta, a companhia apresentou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Faz 14 meses que a empresa opera com suas finanças no vermelho.


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