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Venda da Serra Verde coloca Brasil na corrida global por terras raras

Rodrigo Dias
22 de abril de 2026
Especialista alerta que negócio, no entanto, não resolve fragilidade industrial do país

A venda da mineradora brasileira Serra Verde para a americana USA Rare Earth, avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões, é considerada pelo mercado um ponto de inflexão na disputa global por terras raras. Segundo relatório do BTG Pactual, a transação vai além de um movimento isolado: sinaliza o fortalecimento da estratégia ocidental de diversificar a cadeia produtiva desses minerais críticos, hoje amplamente dominada pela China. Nesse cenário, o Brasil surge como candidato a ganhar relevância nos próximos anos.

A Serra Verde se diferencia por já estar em operação, produzindo elementos magnéticos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias de energia limpa. A expectativa é que represente mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027, com capacidade inicial de 6,4 mil toneladas anuais. Esse diferencial aumenta o interesse de investidores por ativos mais maduros e pode estabelecer um novo patamar de valuation para projetos estratégicos fora da Ásia.

O negócio também reforça a preferência por depósitos de terras raras pesadas, considerados mais escassos e valiosos, e coloca empresas como Aclara, Viridis e Meteoric no radar de potenciais aquisições. Para o BTG, a operação pode acelerar a consolidação do setor e redefinir preços em um contexto de demanda crescente por minerais críticos.

Fragilidade industrial

Apesar do reposicionamento geopolítico, especialistas alertam que o Brasil continua periférico na cadeia de maior valor agregado. A produção local não garante autonomia industrial, já que o país segue dependente de importações de ímãs e tecnologias derivadas. A China ainda domina 90% do processamento global e concentra a fabricação de ímãs permanentes, influenciando preços e suprimento.

Enquanto a USA Rare Earth verticaliza sua plataforma fora do Brasil — com ativos no Reino Unido, França e EUA, além de contratos de longo prazo para absorver toda a produção inicial da Serra Verde — o país permanece apenas como fornecedor de matéria-prima. Isso reforça o risco de trocar dependência chinesa por uma dependência distribuída, sem soberania industrial.

“O ativo no Brasil não retém valor aqui; o país segue estratégico como origem, mas periférico na industrialização rentável”, afirma Rodolfo Midea, CEO da Fácil Negócio Importação.

“O foco é quem controla metal, liga, magneto e aplicação, não só a mina. Temos geologia e escala, mas falta presença nos elos de margem e autonomia”, acrescenta.

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