Todo mundo sonha. Mas, na maioria das vezes, esquecemos os nossos devaneios noturnos (no caso dos pesadelos, isso é um alívio). Quantas vezes não acordamos e sabemos que sonhamos com algo importante, mas não conseguimos lembrar? A importância dos sonhos, em nossa vida, no entanto, é vital. William Shakespeare, em tradução de MIllor Fernandes, escreveu o seguinte, na peça “A Tempestade”: “Somos feitos da mesma substância que os sonhos; e nossa breve vida é envolvida pelo sono”.
Na arte, especialmente na música, os sonhos podem ser inspiradores e até produtivos. Há um número razoável de composições que foram criadas a partir de experiências oníricas e se tornaram famosas. Vamos a algumas delas:
+ “Yesterday” – Essa história é amplamente conhecida. Paul McCartney sonhou com a melodia e, ao acordar, tocou os acordes em um piano. Colocou uma letra provisória: no lugar de “Yesterday”, cantarolava “scrambled eggs” (ovos mexidos), provavelmente inspirado pelo café da manhã que provou após o sonho. Tocou a música para vários amigos, achando que ela tinha sido composta por alguém. Mas era uma criação sua, que havia sido montada em seu subconsciente. Depois de alguns dias, finalizou a letra daquela que seria a canção mais executada dos Beatles e a mais regravada também (a edição de 1986 do Guiness afirma que houve, até aquela data 1.600 versões da música).
+ “Let it Be” – novamente, Paul McCartney usou um devaneio noturno para se inspirar. Neste caso, sonhou com a mãe, Mary, falecida há muito, dizendo para ele: “deixe estar” (“let it be”, no sentido de “deixa para lá”). Essa frase o inspirou a fazer a canção, que cita inclusive a mãe (“When I find myself in times of trouble/ Mother Mary comes to me/Speaking words of wisdom/ Let it be – “Quando eu me encontro em tempos difíceis/ Mãe Maria vem para mim/ Dizendo palavras sábias/ Deixe estar”).
+ “Every Breath You Take” – em uma viagem para a Jamaica (ou para o Caribe, se acordo com algumas versões), Sting acordou no meio da noite com os seguintes versos na mente: “Every breath you take, every move you make, I’ll be watching you” – “A cada respiro seu/ cada movimento seu/ estarei observando você”). Nunca fui muito fã dessa canção (sempre achei que havia na letra uma vibe meio “stalker”), mas sou minoria: foi o compacto simples mais vendido nos Estados Unidos em 1983, segundo a Billboard.
+ “Purple Haze” – Jimi Henrix sonhou que caminhava embaixo d’água, envolto por uma névoa púrpura. Quando acordou, já pensou na letra e nas notas que iria usar na canção que ficou conhecida por conta de um mal-entendido. Num determinado trecho da música, Hendrix canta “excuse me while I kiss the sky”. Muita gente entendia que ele dizia “excuse me while I kiss this guy”.
+ “Tristão e Isolda” – não apenas os roqueiros compuseram canções a partir de visões que ocorreram durante o sono. O alemão Richard Wagner dizia ter usado uma imagem onírica recorrente, descrita por ele como um “sopro que turva o céu claro”, para se inspirar na criação desta ópera (o filósofo Schopenhauer também o influenciou nesta obra). A imagem onírica moldou o clima emocional, a harmonia e a melodia da introdução da ópera, conhecida como o “Acorde de Tristão”, que revolucionou a composição musical.
Respostas de 2
Muito bom Aluízio. Pois é. Precisamos sonhar mais.
Antônio Lino
Muito bom Aluízio. Pois é. Precisamos sonhar mais.
Antônio Lino