Negócio pode criar grupo de US$ 20 bilhões, unir marcas icônicas e intensificar disputa com a L’Oréal, apesar de dúvidas sobre integração
A Estée Lauder está em negociações para adquirir a Puig Brands, em um acordo que pode criar uma gigante do setor de beleza com cerca de US$ 20 bilhões em receita anual.
A operação ampliaria significativamente o portfólio da companhia americana, incorporando marcas como Carolina Herrera, Rabanne e Jean Paul Gaultier, além de ativos relevantes como Byredo e Charlotte Tilbury. O movimento fortaleceria a posição da Estée Lauder na disputa com a L’Oréal, líder global do segmento.
A Puig, avaliada entre € 9 bilhões e € 10 bilhões, enfrenta um momento de pressão após a desaceleração do crescimento e resultados abaixo das expectativas desde seu IPO, em 2024. A forte dependência do segmento de fragrâncias — responsável por mais de dois terços da receita — também tem gerado preocupações entre investidores .
No mercado, a reação foi mista: as ações da Puig chegaram a subir até 17% em Madri, enquanto os papéis da Estée Lauder recuaram em Nova York, refletindo incertezas sobre o impacto estratégico da operação .
Analistas destacam que o negócio pode trazer ganhos de escala e fortalecer a presença global da Estée Lauder, mas alertam para riscos de integração e possível desalinhamento estratégico. A companhia vem passando por um processo de reestruturação, com foco em simplificação do portfólio e maior presença em canais digitais — como marketplaces — além de tentar atrair consumidores mais jovens com produtos de menor preço.
Outro ponto de atenção é a governança da Puig, ainda controlada pela família fundadora. A possível venda levanta dúvidas sobre a disposição do grupo em abrir mão do controle e pode atrair o interesse de outros compradores estratégicos .
