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Copom evita sinalizar juros

Da redação
24 de março de 2026
Ata do Banco Central reforça cautela diante da guerra no Oriente Médio, projeta queda do petróleo no segundo semestre e mantém incertezas sobre inflação

A ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) publicada nesta terça-feira (24) confirma que o Banco Central optou por não antecipar os próximos passos da política de juros, diante do cenário de elevada incerteza global, especialmente em função da guerra no Oriente Médio. No documento, o comitê afirma que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo”, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.

O texto também destaca que futuras decisões sobre a taxa básica poderão considerar com maior clareza a evolução e os impactos do conflito geopolítico. A leitura do Copom mantém a avaliação de riscos tanto de alta quanto de baixa nos preços das commodities, embora parte do mercado veja maior probabilidade de pressão altista.

Para a economista Solange Srour, do UBS Global Wealth Management, a manutenção do risco de queda nos preços das commodities parece defasada. Segundo ela, o cenário atual aponta mais para elevação desses preços, o que poderia pressionar a inflação.

A ata ainda indica maior confiança do Banco Central nos efeitos do aperto monetário sobre a atividade econômica. Apesar de sinais de retomada no primeiro trimestre, a expectativa predominante segue sendo de crescimento mais moderado ao longo de 2026 — fator considerado central para a condução da política de juros.

No cenário de inflação, o Copom projeta uma trajetória de queda nos preços do petróleo no segundo semestre. De acordo com o documento, o preço da commodity deve acompanhar a curva futura nos próximos meses e, posteriormente, subir cerca de 2% ao ano. A expectativa de recuo ao longo da segunda metade do ano ocorre após uma alta mais intensa no curto prazo.

O comitê também afirmou que seguirá monitorando os impactos de medidas fiscais recentes, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, sobre as projeções inflacionárias.

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