Débito perde ritmo e Pix parcelado surge como novo competidor
As transações com cartão de crédito somaram R$ 3,1 trilhões no Brasil em 2025, alta de 14,5% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). O volume reforça o papel central do meio de pagamento no consumo das famílias e amplia a concorrência entre bancos e fintechs.
Em contraste, o cartão de débito apresentou estabilidade, com leve alta de 0,2%, totalizando R$ 1 trilhão no período. A diferença de desempenho reflete a expansão do crédito e o uso crescente de parcelamentos.
O país encerrou o período com cerca de 243 milhões de cartões de crédito ativos, de acordo com o Banco Central, número superior à população estimada em 213,4 milhões pelo IBGE. O cenário indica maior penetração do produto, mas também eleva a disputa pela preferência do cliente.
Instituições financeiras têm ampliado a oferta de crédito e investido em benefícios para consolidar o cartão como principal meio de pagamento do usuário. Entre os quatro maiores bancos listados — Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander — a carteira de crédito em cartões atingiu R$ 373,7 bilhões ao fim de 2025, crescimento de 11,5% em um ano.
No segmento de alta renda, a estratégia envolve cartões com benefícios exclusivos, como acesso a salas VIP e programas de fidelidade. Já para a classe média, a oferta tem se concentrado em produtos sem anuidade e com facilidades de adesão.
Fintechs também ampliam atuação. O Nubank, por exemplo, elevou limites de crédito com apoio de ferramentas de inteligência artificial, em movimento para aumentar o uso de seus cartões como principal meio de pagamento dos clientes.
Apesar do avanço, o setor enfrenta nova concorrência com o Pix parcelado. A modalidade, que combina transferências instantâneas com crédito, tende a disputar espaço com o parcelamento tradicional no cartão, especialmente em compras sem juros.
Para analistas, o mercado ainda tem espaço para crescer no curto prazo, mas se aproxima de um estágio mais competitivo, no qual diferenciais de produto e fidelização devem ganhar maior relevância.
