Escalada de tensões no Oriente Médio pressiona preços de energia e reforça apostas de aperto monetário ainda em 2026
Autoridades do Banco Central Europeu (BCE) reforçaram nesta sexta-feira (20) o alerta para riscos de inflação mais elevada, em meio à escalada das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Apesar do tom cauteloso nas declarações públicas, o mercado financeiro passou a precificar novos aumentos nas taxas de juros ao longo de 2026.
Na véspera, o BCE decidiu manter os juros inalterados, mas indicou que o avanço dos preços de energia pode levar a inflação a superar a meta de 2% neste ano. Um eventual prolongamento do conflito também pode sustentar pressões inflacionárias por mais tempo.
Integrantes da autoridade monetária destacaram a necessidade de cautela diante da volatilidade. O presidente do banco central da Finlândia, Olli Rehn, afirmou que é preciso separar impactos de curto prazo de efeitos mais duradouros na economia. Em linha semelhante, o dirigente do banco central francês, François Villeroy de Galhau, defendeu que o BCE evite reações excessivas ao aumento dos preços de energia, projetando inflação em torno de 2,6% no cenário-base.
Já o presidente do banco central da Espanha, José Luis Escrivá, ressaltou a dificuldade em mensurar os efeitos do choque energético sobre a inflação, indicando que as decisões devem seguir sendo tomadas a cada reunião.
Apesar do discurso moderado, avaliações internas e projeções de instituições financeiras indicam uma mudança de cenário. Bancos como J.P. Morgan, Morgan Stanley e Barclays passaram a prever elevações nos juros ainda neste ano, com algumas estimativas apontando para um primeiro movimento já em abril, seguido de novos ajustes ao longo dos meses seguintes.
O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, reconheceu o risco de deterioração das expectativas inflacionárias e afirmou que uma política monetária mais restritiva pode se tornar necessária caso os preços de energia permaneçam elevados.
No mercado, a percepção é de que o choque atual pode ir além de um movimento temporário, contaminando custos mais amplos da economia. Ainda assim, há divergências entre analistas. Economistas avaliam que o BCE mantém um viés mais cauteloso, o que pode limitar a intensidade ou a velocidade de um eventual ciclo de alta de juros.
