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Apagão de mão de obra trava expansão do foodservice

Lorena Scavone Giron
17 de março de 2026
Com mais de 60% do setor afetado, bares e restaurantes enfrentam alta rotatividade que compromete a gestão e o crescimento

O setor de bares e restaurantes brasileiro vive um paradoxo: embora a demanda dos consumidores esteja em alta, a capacidade de atendimento e expansão esbarra em um obstáculo crítico: a falta de pessoal experiente. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), mais de 60% dos estabelecimentos do país relatam dificuldades severas para contratar e reter funcionários.

Dados do Novo Caged sobre empregos formais confirmam o entrave. Apesar do segmento manter um saldo positivo, o volume de desligamentos atinge patamares alarmantes. Para especialistas, não se trata de uma crise passageira, mas de um desafio estrutural que exige uma mudança imediata na mentalidade dos empresários.

O custo invisível de apagar incêndios

Para Marcelo Marani, especialista em gestão estratégica e fundador da escola Donos de Restaurantes, o impacto vai muito além da folha de pagamento. Quando a equipe está incompleta ou despreparada, o proprietário é sugado de volta para a operação — a famosa “barriga no balcão”.

“O empresário deixa de fazer gestão estratégica. Ele para de analisar indicadores e planejar a expansão para atuar apenas apagando incêndios no dia a dia”, afirma Marani.

Esse desvio de função gera um custo invisível pela perda de produtividade e queda no padrão de qualidade, o que afasta clientes e reduz margens em um setor que opera com limites tradicionalmente apertados.

Desafio da qualificação

Relatórios do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam que o problema não é apenas quantitativo. Há um abismo técnico e comportamental. Trabalhar no foodservice exige de resistência à pressão e disciplina operacional, competências que muitos candidatos novos no mercado ainda não desenvolveram.

Historicamente, o setor é a porta de entrada para jovens (conforme dados da PNAD Contínua/IBGE), mas a alta rotatividade — superior à média de outros serviços — indica que reter esses talentos é um gargalo para o crescimento.

5 estratégias para equipes

Para reverter o cenário, Marani aponta que a retenção deve ser tratada como decisão estratégica, não como medida de urgência:

  1. Processo seletivo técnico – abandonar a contratação por impulso e adotar testes práticos e perfis de vaga bem definidos;
  2. Plano de carreira – criar trilhas de crescimento claras. O funcionário precisa enxergar onde pode chegar para se sentir motivado a ficar;
  3. Cultura e liderança – fortalecer o clima organizacional. “O ambiente pesa tanto quanto o salário”;
  4. Monitoramento de dados – calcular o custo de reposição e o tempo médio de permanência para tomar decisões baseadas em fatos;
  5. Apoio especializado – buscar consultorias para profissionalizar a gestão de pessoas, área que muitos donos de restaurantes ainda desconhecem.

A conclusão é clara: quem continuar ignorando a gestão de pessoas ficará limitado pelo tamanho da própria equipe. “A escassez não é uma fase. Quem tratar o tema como prioridade estratégica vai crescer mesmo na dificuldade”, finaliza Marani.

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