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Por que Flávio subiu tão rápido nas pesquisas?

Aluizio Falcão Filho
4 de março de 2026

As três últimas pesquisas eleitorais mostraram um cenário surpreendente para quem acreditou no fracasso imediato da candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele está em situação de empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em duas delas, está numericamente à frente, mesmo que por uma margem muito pequena. O estudo mais recente é o da Real Time Big Data. Nele, a simulação de cenários para o segundo turno é de 42% para Lula e 41% para o senador. Mas um detalhe chama a atenção: quando os entrevistados dão respostas espontâneas sobre em que nome votarão, Lula tem 29% e Flávio 19% (o pai, Jair Bolsonaro, aparece com 4 pontos percentuais, apesar de inelegível).

Trata-se de um resultado muito bom para o senador a esta altura do campeonato. Isso mostra que ele se consolidou rapidamente como o principal candidato de oposição, ganhando até mais tração que a mostrada pelo governador Tarcísio de Freitas durante o ano passado (precisamos, porém, ressaltar que a diferença de timing pode ter gerado essa adesão mais rápida para o filho zero-um do ex-presidente).

Vejamos uma enquete realizada pela USP durante a manifestação do último domingo, com 704 presentes. Para esse grupo, 74% acham que Flávio deve representar a direita nas eleições de outubro (Tarcísio surge como preferido de 10%). Mas, em junho de 2025, uma pesquisa igual, no mesmo local e durante um ato público, mostrava que o governador paulista deveria ser o escolhido para estar na cédula eleitoral para a presidência por 30%. Nesta época, Flávio aparecia com apenas 5%.

Mas por que o senador subiu tão rápido nas pesquisas?

Em primeiro lugar, foi impulsionado pelo sobrenome, que jogou os eleitores de direita automaticamente em seu colo. Esse movimento foi iniciado pelos bolsonaristas mais empedernidos, mas acabou abraçando direitistas mais moderados, que se sentiam incomodados com determinadas posições de Jair Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, Flávio deu sinais de que é, de fato, mais moderado que seu pai. As declarações sobre questões relativas à agenda de costumes mostram que suas posições são diferentes e seu temperamento parece ser mais controlado. Na semana passada, por exemplo, um vídeo que viralizou nas redes mostrava um rapaz de esquerda provocando o candidato no avião. Ele não entrou nas provocações e levou tudo na galhofa. Se fosse o ex-presidente, talvez o final da história fosse outro.

Por fim, a forte rejeição que Lula sofre por parte dos eleitores de centro também engorda as intenções de voto do senador. Flávio está falando muito de segurança pública e neste tópico está uma das maiores fraquezas do governo do PT. Lula não pode prometer uma política de repressão mais contundente, pois isso seria negar tudo o que foi feito em seus três mandatos presidenciais. Já Flávio (e a direita de maneira geral) pode endurecer suas palavras sem provocar estranhamento. Diante do cenário atual, é um caminho que deve sensibilizar um número cada vez maior de eleitores.

O crescimento acelerado do senador, portanto, reflete não apenas sua capacidade de herdar parte do capital político do pai, mas também a disposição de uma parcela do eleitorado em buscar uma alternativa competitiva de oposição ao governo. À medida que o debate público se intensificar, será possível avaliar se essa preferência se consolidará ou se ainda há espaço para novas movimentações no tabuleiro eleitoral.

Diante de tudo isso, vemos que, mais uma vez, Jair Bolsonaro mirou no que viu e acabou acertando o que não enxergou. Ele escolheu Flávio para manter seu legado político na família e, com isso, talvez se beneficiar no futuro. Mas não esperava que o senador fosse cair tão rápido no gosto popular e sensibilizar até quem o rejeitou no passado. Resta saber se essa ascensão rápida terá sido apenas um impulso inicial ou o começo de uma nova correlação de forças na política nacional.

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