Denúncia de injúria racial contra Vinicius Jr. na Champions League gera investigação da Uefa, mobiliza jogadores, torcedores e transforma imagens do episódio em símbolo de resistência
As imagens que marcaram o futebol nesta semana não foram apenas de um golaço ou de uma vitória. Foram registros de tensão, denúncia e solidariedade após Vinicius Jr., do Real Madrid, relatar ter sido alvo de ofensas racistas do jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, durante a partida em Lisboa válida pela Champions League.
Esse vídeo que mostra tudo o que aconteceu entre Vini e Prestianni.
— DataFut (@DataFutebol) February 18, 2026
O argentino anteriormente já tinha ido pra cima do no brasileiro com a camisa na boca, o Mbappe escutou algo e ficou completamente revoltado.pic.twitter.com/q51HBQdzm7
O episódio está sob investigação da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), que abriu procedimento para analisar imagens, depoimentos e o relato oficial do árbitro. O clube espanhol informou ter enviado todas as provas disponíveis à entidade e afirmou que seguirá colaborando com a apuração.
Segundo relatos feitos em campo, o atacante brasileiro denunciou ter sido chamado de mono (macaco) pelo adversário após marcar o gol da vitória. O árbitro acionou o protocolo antirracismo, paralisando a partida por cerca de dez minutos. Dentro de campo, companheiros como Kylian Mbappé ofereceram apoio imediato. O técnico José Mourinho também foi visto conversando com o brasileiro, um alvo recorrente justamente por não se calar diante das provocações discriminatórias.
Há um elemento covarde no episódio. Prestianni teria ofendido o brasileiro enquanto cobria sua boca com a gola da camisa, impedindo a leitura labial que o denunciaria. O ato foi visto como premeditado. Tanto que a entidade máxima do futebel, a Fédération Internationale de Football Association (Fifa), avalia criar a Lei Prestianni, que puniria jogadores que se dirijam a adversários em campo com a boca tapada para impedir que suas palavras sejam reveladas.
Mbappe defendendo o Vini Jr:
— Jéferfon Menezes (@JefinhoMenes) February 18, 2026
"Você é um puto racista."
"Você é um puto racista."
"Você é um puto racista."
"Você é um puto racista."
O cara foi gigante.pic.twitter.com/7f8cUTLyvV
Mbappé: "O número 25 do Benfica, não quero dizer o seu nome porque não merece, […] não merece jogar mais na Champions League."pic.twitter.com/tXwXfbyGIB
— B24 (@B24PT) February 17, 2026
Com o episódio, vários vídeos passaram a circular a partir do Estádio da Luz mostrando diferentes momentos de manifestações racistas durante a partida. As imagens do jogador visivelmente indignado e dos colegas formando um escudo ao seu redor ganharam o mundo em poucos minutos.
Several videos have emerged from Benfica’s stadium showing multiple racist incidents. https://t.co/a5Ovpoxw2E
— Real Madrid Info ³⁶ (@RMadridInfo) February 19, 2026
A repercussão ultrapassou as fronteiras do esporte. Crianças do grupo Ghetto Kids, em Uganda, publicaram um vídeo reproduzindo a comemoração do atacante em gesto de solidariedade. A gravação viralizou e foi compartilhada pelo próprio jogador. Em outro registro que circulou nas redes, um torcedor negro aparece isolado em meio à torcida adversária, aplaudindo a decisão do árbitro de aplicar o protocolo antirracista, em uma cena que sintetiza resistência e esperança.
🚨 TAPA NA CARA DA ARGENTINA: CRIANÇAS AFRICANAS FAZEM LINDA HOMENAGEM A VINI JRpic.twitter.com/pkWicOYXas
— Victor Garcia (@toninhodocall) February 18, 2026
Forte. Muito forte https://t.co/ulkI7idyiT
— Diogo Laranjeira (@DiogoLaranjeira) February 18, 2026
O caso reacende uma pergunta incômoda que acompanha a carreira do brasileiro: quantas vezes será necessário repetir a denúncia para que alguma punição seja exemplar? O debate sobre racismo no futebol europeu não é novo, mas segue pulsante. Campanhas institucionais existem, protocolos são acionados, notas oficiais são divulgadas. Ainda assim, episódios semelhantes continuam a ocorrer.
O contraste desta semana é brutal. De um lado, a imagem de um atleta celebrando um golaço, de outro, a necessidade de interromper o jogo porque alguém decidiu inferiorizar o adversário pela cor de sua pele, comparando-o com um animal.
As fotos e vídeos que circularam nos últimos dias não são apenas registros esportivos. São retratos de uma disputa que vai muito além das quatro linhas. E a pergunta que fica ecoando, diante de cada nova denúncia, é direta: até quando o racismo precisará chocar para ser tratado como realmente imperdoável?
🔙🗣️ Vinicius: "All I want is to play football and for Black people not to suffer." 🥹❤️ pic.twitter.com/3DfDDXkmjK
— Goals Side (@goalsside) February 19, 2026
