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Até quando o racismo em campo será tolerado?

Da redação
21 de fevereiro de 2026
Denúncia de injúria racial contra Vinicius Jr. na Champions League gera investigação da Uefa, mobiliza jogadores, torcedores e transforma imagens do episódio em símbolo de resistência

As imagens que marcaram o futebol nesta semana não foram apenas de um golaço ou de uma vitória. Foram registros de tensão, denúncia e solidariedade após Vinicius Jr., do Real Madrid, relatar ter sido alvo de ofensas racistas do jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, durante a partida em Lisboa válida pela Champions League.

O episódio está sob investigação da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), que abriu procedimento para analisar imagens, depoimentos e o relato oficial do árbitro. O clube espanhol informou ter enviado todas as provas disponíveis à entidade e afirmou que seguirá colaborando com a apuração.

Segundo relatos feitos em campo, o atacante brasileiro denunciou ter sido chamado de mono (macaco) pelo adversário após marcar o gol da vitória. O árbitro acionou o protocolo antirracismo, paralisando a partida por cerca de dez minutos. Dentro de campo, companheiros como Kylian Mbappé ofereceram apoio imediato. O técnico José Mourinho também foi visto conversando com o brasileiro, um alvo recorrente justamente por não se calar diante das provocações discriminatórias.

Há um elemento covarde no episódio. Prestianni teria ofendido o brasileiro enquanto cobria sua boca com a gola da camisa, impedindo a leitura labial que o denunciaria. O ato foi visto como premeditado. Tanto que a entidade máxima do futebel, a Fédération Internationale de Football Association (Fifa), avalia criar a Lei Prestianni, que puniria jogadores que se dirijam a adversários em campo com a boca tapada para impedir que suas palavras sejam reveladas.

Com o episódio, vários vídeos passaram a circular a partir do Estádio da Luz mostrando diferentes momentos de manifestações racistas durante a partida. As imagens do jogador visivelmente indignado e dos colegas formando um escudo ao seu redor ganharam o mundo em poucos minutos.


A repercussão ultrapassou as fronteiras do esporte. Crianças do grupo Ghetto Kids, em Uganda, publicaram um vídeo reproduzindo a comemoração do atacante em gesto de solidariedade. A gravação viralizou e foi compartilhada pelo próprio jogador. Em outro registro que circulou nas redes, um torcedor negro aparece isolado em meio à torcida adversária, aplaudindo a decisão do árbitro de aplicar o protocolo antirracista, em uma cena que sintetiza resistência e esperança.


O caso reacende uma pergunta incômoda que acompanha a carreira do brasileiro: quantas vezes será necessário repetir a denúncia para que alguma punição seja exemplar? O debate sobre racismo no futebol europeu não é novo, mas segue pulsante. Campanhas institucionais existem, protocolos são acionados, notas oficiais são divulgadas. Ainda assim, episódios semelhantes continuam a ocorrer.

O contraste desta semana é brutal. De um lado, a imagem de um atleta celebrando um golaço, de outro, a necessidade de interromper o jogo porque alguém decidiu inferiorizar o adversário pela cor de sua pele, comparando-o com um animal.

As fotos e vídeos que circularam nos últimos dias não são apenas registros esportivos. São retratos de uma disputa que vai muito além das quatro linhas. E a pergunta que fica ecoando, diante de cada nova denúncia, é direta: até quando o racismo precisará chocar para ser tratado como realmente imperdoável?

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