Mensagens atribuídas ao empresário Evandro Baldino reforçam suspeitas de uso de propina e esquema estruturado de fraudes em licitações e desvio de emendas em municípios da Bahia
Registros de conversas obtidos pelo Metrópoles e atribuídas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento (na imagem), investigado em múltiplas fases da Operação Overclean, indicam que ele teria comprado apoio de prefeitos na Bahia e fechado acordos com dezenas de prefeituras por meio de repasses em dinheiro. Em conversas com interlocutores, Baldino afirmou já ter atuado em 38 municípios e estar avançando para outros 60, em referência a negociações com gestores municipais supostamente beneficiados pelo esquema.
De acordo com o material sob análise da Polícia Federal (PF), os pagamentos seriam feitos por meio de depósitos fracionados em dinheiro, em contas indicadas pelos próprios prefeitos, com envio de comprovantes bancários para confirmar as transferências. Em uma das trocas de mensagens, Baldino conversa diretamente com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana (BA), que foi afastado do cargo por decisão judicial no âmbito da Overclean, mas retornou à prefeitura por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e nega irregularidades.
As conversas foram incorporadas a inquéritos da PF que apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, fraude em licitações e desvio de emendas parlamentares, em um esquema que teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos. A Overclean mira empresários, prefeitos, vereadores, servidores, operadores financeiros e parlamentares, entre eles o deputado federal Dal Barreto (União-BA) e outros políticos baianos citados em relatórios, em investigações que já resultaram em bloqueio de R$ 85,7 milhões e atingem empreiteiras como a Construtora Impacto, ligada a Baldino.
Evandro Baldino, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Várzea do Poço (BA) e apontado como elo logístico de contratos em municípios que receberam emendas, é suspeito de articular fraudes em licitações e o desvio de recursos em cidades como Campo Formoso e Oliveira dos Brejinhos. Segundo a PF, parte do dinheiro público retornava ao esquema em forma de propina, financiamento de campanhas e pagamentos diretos a agentes públicos, em meio a obras superfaturadas, estradas nunca asfaltadas e empreiteiras que abandonaram serviços mesmo após receberem quantias milionárias.
O que MR publicou:

Uma resposta
Por isso Oliveira dos Brejinhos não se desenvolve ; ruas sem asfalto sem drenagem. Só pintar meio fio de branco , não é obra