Pesquisa global da PwC indica queda na confiança no curto prazo, avanço da inteligência artificial e movimento crescente de empresas para novos setores
A incerteza econômica e geopolítica tem pressionado executivos ao redor do mundo, mas não freado a busca por transformação. É o que aponta a 29ª edição da CEO Survey da PwC, que ouviu mais de 4,4 mil líderes empresariais de 95 países, incluindo o Brasil. O levantamento mostra CEOs menos confiantes no crescimento de curto prazo, ao mesmo tempo em que intensificam investimentos em inovação, inteligência artificial (IA) e expansão para novos mercados.

A queda de confiança é significativa: no Brasil, apenas 38% dos participantes estão muito ou extremamente confiantes no crescimento da receita nos próximos 12 meses, recuo relevante frente aos 50% registrados no ano anterior. No cenário global, o índice é ainda menor, de 30%.

IA avança, mas retorno ainda é limitado
A inteligência artificial segue como prioridade estratégica, embora o retorno financeiro ainda seja considerado tímido. No Brasil, 37% relataram aumento de receita com IA no último ano e 28% indicam redução de custos, porém mais da metade afirma não ter obtido benefícios concretos até agora.

A tecnologia também deve impactar o mercado de trabalho: 60% dos líderes brasileiros acreditam que haverá menos vagas de entrada nos próximos três anos, reflexo da automação e da adoção crescente de soluções digitais.
Apesar disso, a IA continua vista como essencial para competitividade e inovação, principalmente quando integrada à estratégia e à cultura organizacional, em vez de aplicada apenas em projetos isolados.
Empresas cruzam fronteiras setoriais
Outro destaque é a mudança de posicionamento estratégico das empresas. Mais da metade dos CEOs brasileiros (51%) afirma que suas companhias passaram a competir em novos setores nos últimos cinco anos, índice superior à média global de 42%.
Esse movimento está associado a maior crescimento e lucratividade, segundo o estudo, especialmente entre organizações que diversificam receitas e exploram novos modelos de negócio.
Riscos macroeconômicos lideram preocupações
No Brasil, a instabilidade macroeconômica aparece como principal risco aos negócios, citada por 38% dos CEOs. Em seguida estão disrupção tecnológica e inflação, ambas com níveis de preocupação mais elevados no país do que na média global.
Questões geopolíticas, cibersegurança, mudanças climáticas e escassez de talentos também figuram entre as ameaças relevantes para as empresas, refletindo um ambiente corporativo cada vez mais complexo.
Agenda dominada pelo curto prazo
A pesquisa mostra ainda que brasileiros dedicam 57% do tempo a questões imediatas, contra apenas 11% para temas de longo prazo. O desequilíbrio, embora global, é mais acentuado por aqui e pode dificultar processos de transformação estrutural.

Inovação e confiança entram no radar
Embora 56% dos CEOs brasileiros afirmem que a inovação é prioridade estratégica, apenas cerca de 20% dizem ter práticas robustas para sustentar projetos inovadores, evidenciando um descompasso entre discurso e execução.
Além disso, temas como segurança digital, privacidade de dados, sustentabilidade e transparência vêm ganhando peso na relação com stakeholders. Empresas que enfrentam menos problemas de confiança tendem a apresentar retorno aos acionistas superior ao de concorrentes.

Reinvenção como caminho competitivo
Segundo o estudo, organizações que investem em inovação, IA e diversificação setorial têm apresentado crescimento mais rápido e margens mais robustas. Já empresas que adiam investimentos por causa da incerteza tendem a registrar desempenho inferior.
Para os entrevistados, o desafio central passa a ser equilibrar gestão de riscos imediatos com visão estratégica de longo prazo — condição considerada essencial para manter competitividade em um cenário global marcado por mudanças rápidas e imprevisíveis.
