Hotéis e serviços rodoviários puxaram a alta, enquanto aéreo recuou; para 2026, associação projeta estabilidade e vê feriados, Copa e eleições como desafios
As viagens corporativas registraram em 2025 o melhor resultado da série histórica, com faturamento consolidado de R$ 13,685 bilhões, segundo levantamento da Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas). O número representa crescimento de 0,77% em relação a 2024, quando o setor já havia alcançado recorde, com R$ 13,581 bilhões.
O desempenho consolida a recuperação do mercado após os impactos da pandemia e mantém a trajetória de avanço iniciada em 2022, com estabilização em patamar elevado mesmo diante de mudanças no padrão de consumo das empresas.
“Mais um recorde quebrado. O desempenho é um sinal da resiliência do setor em um contexto de recomposição do mix de produtos e ajustes na demanda empresarial”, afirmou Douglas Fernandes e Camargo, diretor executivo da Abracorp.
Aéreo segue líder, mas perde força
Os serviços aéreos continuaram sendo o principal produto do setor, respondendo por 57,5% do faturamento total. No entanto, fecharam 2025 em queda: o segmento somou R$ 7,87 bilhões, retração de 3,42% na comparação anual.
De acordo com os destaques da associação, no mercado doméstico a ponte aérea foi o principal trecho comercializado, enquanto no internacional a rota mais relevante foi Brasil–Nova Iorque–Brasil.
Hotéis avançam e ampliam participação
O segmento de hotelaria ficou em segundo lugar no ranking, com R$ 4,24 bilhões, alta de 6,40%, elevando sua participação para 31% do total.
No Brasil, o faturamento do setor de hotéis cresceu 7%, com avanço de 8,38% na diária média. Já no mercado internacional, houve crescimento de 2,59%, com aumento de 15,83% na diária média, segundo a Abracorp.
Rodoviário e transfer ganham espaço
Apesar de menor peso na composição total, alguns segmentos registraram alta expressiva. Os cruzeiros corporativos tiveram crescimento de 44,97%, enquanto os serviços de transfer avançaram 25,36% e o transporte rodoviário subiu 14,89%.
A categoria demais serviços, que reúne produtos complementares às viagens de negócios, alcançou R$ 893,3 milhões, alta de 17,13%, e passou a responder por 6,53% do faturamento consolidado.
Outros segmentos recuam
O relatório também aponta retração em alguns serviços. A locação de veículos caiu 1,35%, somando R$ 374,7 milhões, enquanto os pacotes de viagens/lazer recuaram 13,37%, para R$ 142,1 milhões. O transporte ferroviário e os serviços de vistos e documentos também fecharam o ano em baixa, com quedas de 23,43% e 18,75%, respectivamente.
Segundo a associação, a composição do mercado reforça uma tendência de racionalização das viagens de negócios, com empresas priorizando deslocamentos essenciais e ampliando o uso de hospedagem e serviços complementares.
Projeção para 2026: estabilidade e desafios no radar
Para 2026, a Abracorp projeta estabilidade, com leve avanço do faturamento para perto de R$ 14 bilhões. No curto prazo, porém, a associação aponta fatores que podem reduzir o volume de viagens, como maior quantidade de feriados nacionais, Copa do Mundo e eleições, que afetam o ritmo de deslocamentos corporativos.
No médio prazo, a entidade avalia que o setor terá de lidar com um ambiente mais complexo, pressionado por custos, incertezas geopolíticas e transformação tecnológica. A Abracorp afirma que, ao longo de 2025, as agências associadas investiram mais de R$ 1 bilhão em tecnologia, incluindo modernização de sistemas e uso de ferramentas de inteligência artificial para otimização de processos.
