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Kevin Warsh substitui Powell no comando do Fed

Da redação
30 de janeiro de 2026
Ex-diretor do banco central americano volta ao radar e é visto pelo mercado como nome de credibilidade institucional, apesar de histórico “hawkish”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) Kevin Warsh como sucessor de Jerome Powell na presidência do Federal Reserve (Fed), encerrando meses de especulações sobre quem comandaria o banco central americano a partir do fim do mandato do atual chairman, em maio.

Warsh, que integrou o Conselho de Diretores do Fed entre 2006 e 2011 e era um dos quatro finalistas da lista de Trump, esteve na Casa Branca na quinta-feira, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg. O presidente já havia sinalizado na véspera que a indicação seria de um nome “conhecido por todos no mundo financeiro”.

A reação dos mercados veio logo após o anúncio feito por Trump na Truth Social. Os futuros do S&P 500 recuaram 0,4%, o dólar subiu 0,2% e o ouro caiu 4,6%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 10 anos tiveram pouca oscilação. Na Europa, as bolsas avançaram, apoiadas por dados melhores do que o esperado da economia da zona do euro no fim de 2025.

A indicação reacende o debate sobre o grau de independência do Fed em um segundo mandato de Trump, marcado por críticas frequentes ao ritmo de cortes de juros conduzido por Powell. Apesar disso, analistas destacam que Warsh é visto como um nome respeitado dentro da instituição e menos propenso a provocar rupturas no desenho tradicional de política monetária.

Nos bastidores, investidores também avaliam que Warsh — historicamente associado a uma postura mais dura contra a inflação — poderá enfrentar dificuldades para formar consenso dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), composto por 12 membros votantes. Ainda assim, nas últimas semanas, ele se aproximou do discurso do presidente ao defender juros mais baixos, contrariando sua reputação anterior.

Economistas da Evercore ISI, liderados por Krishna Guha, destacaram em relatório que Warsh tende a atuar como pragmático, e não como um “hawk ideológico”. Já o CIO da BlueBay Asset Management, Mark Dowding, apontou que o mercado pode continuar precificando dois cortes de juros neste ano, sustentado pela tese de ganhos de produtividade com inteligência artificial mantendo a inflação sob controle.

A confirmação de Warsh no Senado, no entanto, não está garantida. Embora o nome tenha boa aceitação entre republicanos, um senador-chave, Thom Tillis (Carolina do Norte), prometeu bloquear indicações para o Fed até que o Departamento de Justiça conclua uma investigação envolvendo a reforma da sede do banco central e o depoimento de Powell ao Congresso.}



O que muda com Warsh, segundo a Nomad

Segundo análise de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a escolha de Warsh “amenizou os movimentos de queda dos futuros americanos”, indicando que o mercado enxerga na nomeação um sinal de credibilidade institucional. Ela avalia que, apesar de Warsh defender cortes de juros, seu histórico hawkish reduz o temor de “captura política total” do Fed — risco que poderia ser maior sob outros nomes cogitados.

Para ativos de crescimento e empresas de tecnologia, a expectativa de uma postura mais dura pode elevar custos no curto prazo, pressionando o setor. Já para Brasil e emergentes, Zogbi aponta possível impacto via dólar mais forte e yields globais mais altos, com o ritmo de queda de juros internacionais sendo reprecificado de forma mais lenta.

Ainda assim, a estrategista ressalta que o movimento mais relevante está na diminuição do “tail risk” político, o que pode contribuir para uma recalibração global de taxas mais saudável no longo prazo.

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