CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti destaca apetite do mercado por emergentes, reformas e estabilidade institucional como trunfos do país no novo ciclo de investimentos
Após sua participação no Fórum Econômico Mundial, o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti (na imagem), declarou que sua principal conclusão em Davos é que investidores globais estão dispostos a aumentar a exposição fora dos Estados Unidos, abrindo espaço para maior fluxo de capital para mercados emergentes. Segundo o executivo, países com tamanho e profundidade de mercado, como o Brasil, tendem a se tornar destinos prioritários nesse reposicionamento de portfólios.
Sallouti ressalta que o Brasil reúne atributos que o colocam em posição favorável nesse cenário, combinando um sistema financeiro sofisticado, mercado de capitais desenvolvido e um conjunto de empresas com capacidade de crescer em um ambiente global mais desafiador. Ele observa que, em Davos, o país foi citado como exemplo de economia com relevância regional e base institucional capaz de sustentar ciclos mais longos de investimento.
Outro ponto enfatizado pelo executivo é a importância da previsibilidade macroeconômica e da continuidade de reformas estruturais para consolidar o interesse dos grandes investidores. Na avaliação dele, a disposição de aumentar a exposição a emergentes vem acompanhada de uma cobrança maior por responsabilidade fiscal, segurança jurídica e clareza regulatória.
Sallouti também aponta que temas como transição energética, sustentabilidade e inovação tecnológica passaram a orientar de forma mais direta as decisões de alocação de recursos discutidas em Davos. Nesse contexto, o Brasil é visto com potencial de liderança em áreas como energia limpa e agronegócio de baixa emissão, o que pode reforçar a atratividade do país para investidores que buscam retorno combinado com critérios ambientais, sociais e de governança. “Quatro dias intensos, mas muito produtivo”, comemorou o CEO do BTG Pactual, que acompanhou os paineis do Fórum Econômico Mundial ao lado do chairman do banco André Esteves.
Confira as principais impressões de Sallouti em Davos:
- Ninguém sabe ao certo qual a nova ordem geopolítica global. Mas, a postura americana está gerando apreensão e incerteza nos investidores, beneficiando os mercados ex-US. Existe muita apreensão com a possibilidade de um evento de cauda como foi o Liberation Day;
- AI será um impulso enorme no crescimento e produtividade das empresas e economias, que se beneficiarão dos enormes investimentos atuais. Quais das big techs serão as vencedoras é onde há incerteza;
- As economias globais seguem fortes, impulsionadas pelos gastos fiscais que não arrefeceram pós-covid. Isso faz com que a queda dos juros seja limitada, a curva longa fique pressionada e a solvência fiscal dos países voltou ao radar;
- A Argentina, com sua disciplina fiscal e reformas pró-business, o resultado das eleições recentes e a popularidade do governo em alta deixou os investidores muito otimistas. Chile, Bolívia e Equador estão seguindo o mesmo caminho.
