Antes de criarem a Brex, Pedro Franceschi e Henrique Dubugras venderam a Pagar.me, deixaram Stanford e transformaram conexões em uma startup bilionária
Em 2012, dois jovens brasileiros se conheceram no X (antigo Twitter) durante uma discussão sobre editores de texto para programação. A troca de mensagens entre Pedro Franceschi e Henrique Dubugras daria origem, anos depois, a uma das fintechs mais valiosas do Vale do Silício: o Brex .
Fundada em 2017, a startup foi vendida na quinta-feira, 22, para a Capital One por US$ 5,15 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) , em uma operação estruturada com 50% em dinheiro e 50% em ações. A empresa, que oferece soluções de gestão financeira e cartões corporativos para startups, tornou-se Franceschi e Dubugras bilionárias aos 20 e poucos anos.
Antes do Brex, os dois realizaram o Pagar.me em 2013, aos 16 anos, enquanto ainda cursavam o ensino médio no Brasil. A plataforma permitiu que pequenas e médias empresas aceitassem pagamentos online de forma simplificada, em um momento em que o acesso a serviços financeiros digitais ainda era limitado no país. O negócio cresceu rapidamente e chamou a atenção do mercado.
Em 2016, o Pagar.me foi vendido para a Stone, empresa brasileira de meios de pagamento. Embora o valor da transação tenha sido divulgado , a venda garantiu aos fundadores capital suficiente para dar o próximo passo: mudar-se para os Estados Unidos e iniciar os estudos em ciência da computação na Universidade de Stanford, na Califórnia.
A experiência acadêmica, porém, foi breve. Após oito meses no primeiro ano do curso, os dois decidiram sair. Segundo Henrique Dubugras, a transição de empreendedores independentes no Brasil para a vida universitária tradicional, com aulas expositivas e rotina de dormitórios, foi frustrante. “Era entediante”, resumo em entrevistas posteriores. A sensação, segundo ele, era de que havia sido prescrito em autonomia e velocidade de execução.
Apesar disso, o curto período em Stanford foi estratégico. Lá, contataram estudantes internacionais que mais tarde se tornariam funcionários, investidores e conselheiros do Brex. Essas conexões foram fundamentais para estruturar o negócio que fundaria meses depois.
A decisão de abandonar a universidade em janeiro de 2017 marcou o início do Brex — e o início de uma trajetória que transformou Franceschi e Dubugras em bilionários globais antes dos 30 anos.
Explosão no Vale do Silício
A Brex estreou no mercado oferecendo cartões corporativos com análise automatizada de crédito, direcionado a startups. Em menos de um ano, atraiu investidores como Peter Thiel, Max Levchin, Tiger Global e Greenoaks, ultrapassando US$ 1 bilhão em valor de mercado.
Em 2019, foram lançadas contas corporativas integradas com ferramentas de controle financeiro . A base de clientes superou 30 mil empresas. Em 2022, alcançou seu pico de avaliação: US$ 12,3 bilhões.
No mesmo ano, Franceschi e Dubugras entraram na lista de bilionários da Forbes, com US$ 1,5 bilhão cada.
Reestruturação e venda para a Capital One
A partir de 2023, com o mercado mais cauteloso, o Brex mudou o foco para rentabilidade. Operações reorganizadas e buscaram estabilidade. A venda para a Capital One encerra esse ciclo de transição.
Franceschi seguirá como CEO da Brex. Dubugras, que desde 2024 atua como presidente, continuará com papel estratégico no conselho. A transação representa a maior aquisição da Capital One desde a compra da Discover Financial, por US$ 35 bilhões.
Fortuna em redefinição
Com 28% de participação no Brex , a dupla poderá embolsar até US$ 1,44 bilhão em ativos e ações. Em 2025, Franceschi ocupava a 8ª posição entre os bilionários mais jovens do Brasil, com R$ 3,3 bilhões. Dubugras, embora fora do top 10 jovem da Forbes naquele ano, mantinha trajetória semelhante.
A venda da Brex consolida a jornada de Franceschi e Dubugras como um dos casos mais bem-sucedidos de empreendedorismo da América Latina, iniciado com uma simples conversa no X.
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Por Tamires Vitorio
Publicado originalmente em: encurtador.com.br/mleH
