A Imagem da Semana de MR é a captura de um momento de forte carga política e simbólica, ainda que repleta de constrangimento alheio: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu das mãos da líder da oposição venezuelana María Corina Machado a medalha do Prêmio Nobel da Paz, conquistado por ela em 2025. O encontro ocorreu na Casa Branca, na quinta-feira (15), e rapidamente ganhou repercussão internacional.
Laureada “por esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”, Machado afirmou ter oferecido a medalha como um gesto simbólico de reconhecimento ao que chamou de “compromisso” de Trump com a liberdade do povo venezuelano. Com os devidos cuidados de proporção, seria como se a ativista paquistanesa pelos direitos à educação de meninas e adolescentes, Malala Yousafzai, dedicasse seu prêmio de 2014 aos fundamentalistas sunitas que a balearam no rosto.
Sem o menor constrangimento, o presidente que mandou bombardear um país sem aviso reagiu publicamente com entusiasmo, classificando o presente como “maravilhoso” e destacando o respeito mútuo entre os dois – justo ele, que desclassificou a capacidade de liderança de Corina Machado.
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A episódio, no entanto, veio acompanhado de controvérsia. Pouco depois da divulgação, o Instituto Nobel reiterou que o Prêmio Nobel da Paz é intransferível. Segundo os estatutos da Fundação Nobel, a decisão do comitê é definitiva: o título não pode ser compartilhado, transferido ou revogado — ainda que o laureado possa dispor fisicamente da medalha.
O gesto ocorreu em um contexto político delicado. Machado tem vivido em clandestinidade desde que foi impedida de concorrer às eleições de 2024 na Venezuela e ganhou projeção internacional após a prisão de Nicolás Maduro, em uma operação militar conduzida pelo governo dos EUA sem anuência do Legislativo. Apesar de elogios públicos trocados, Trump evita endossar uma transição com a participação de Machado, adicionando camadas de ambiguidade à imagem agora emblemática.
