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Exame: Esta empresa brasileira tem menos de um ano e já vale meio bilhão

Da redação
15 de janeiro de 2026
A Rivio se conecta aos sistemas do hospital e usa agentes de IA generativa para ajudar nas contas hospitalares; startup recebeu R$ 100 milhões em investimentos

Em menos de um ano de operação, a Rivio, startup de inteligência artificial para hospitais, já é avaliada em mais de R$ 500 milhões e levantou mais de R$ 100 milhões com fundos como Valor Capital, Monashees e Endeavor Catalyst — um patamar raríssimo para empresas brasileiras e jovens.

A companhia atua em um ponto específico e pouco visível da cadeia: o ciclo de receita hospitalar. A proposta é usar IA para garantir que hospitais recebam tudo o que têm direito dos planos de saúde, reduzindo perdas com erros de faturamento, falhas operacionais e glosas das operadoras.

Na prática, a Rivio conecta a plataforma aos sistemas dos hospitais, revisa contas automaticamente, cruza dados de prontuários, prescrições e materiais usados e aponta onde há dinheiro “esquecido” na hora de cobrar — assim, cobra um percentual do valor recuperado. Em alguns contratos, a empresa afirma assumir parte do risco financeiro da operação.

O negócio foi criado em 2025 por dois nomes já conhecidos do ecossistema de tecnologia. Um deles é Ricardo Sales, fundador da Isaac, plataforma de gestão para escolas vendida à Arco Educação por cerca de US$ 150 milhões.

O outro é Silvio Frison, que participou da criação do Score Serasa para o consumidor e depois presidiu a Serasa Experian no Brasil. A ideia da dupla agora é aplicar a lógica de dados e eficiência financeira no setor de saúde.

Como a Rivio funciona?

Sales costuma explicar o problema com uma metáfora: um hospital seria um “super restaurante” em que cada paciente chega com um cardápio diferente (o convênio), milhares de itens (exames, materiais, diárias, procedimentos) e regras que mudam o tempo todo.

No fim, quem paga não é o paciente, mas o plano — e qualquer detalhe mal registrado pode virar receita perdida.

Hoje, muitos hospitais mantêm equipes grandes de faturistas, que montam e conferem contas manualmente. Segundo a Rivio, é comum o setor gastar de 4% a 6% da própria receita com esse processo e, ainda assim, perder de 5% a 8% por subfaturamento (itens que não entram na conta) e mais de 10% em glosas (valores recusados pelas operadoras).

A Rivio entra exatamente nesse ponto. A plataforma se conecta aos sistemas do hospital e usa agentes de IA generativa para checar linha a linha das contas.

Se um paciente teve, por exemplo, prescrição de um medicamento para febre e o remédio foi aplicado, mas não aparece na cobrança enviada ao plano, o sistema sinaliza o problema.

A empresa afirma conseguir elevar em cerca de 5% a receita dos hospitais já no primeiro mês de operação, apenas corrigindo subfaturamento — em alguns casos, o ganho chega a ser maior, somando ainda a recuperação de glosas que antes eram dadas como “perdidas”.

Outro ponto que a Rivio diz atacar é a complexidade de lidar com quase 700 operadoras privadas, cada uma com regras, janelas de envio e formatos diferentes.

Em um caso relatado pelos fundadores, a análise manual de uma única conta levou oito horas de trabalho para uma cobrança de R$ 0,02. A plataforma identifica automaticamente quando não adianta investir esforço em contas de baixo valor e direciona o time para as que têm impacto relevante.

Hoje, a empresa diz atender dezenas de hospitais entre grandes grupos privados e instituições do interior, mas não revela quais.

No futuro, a Rivio quer se tornar uma espécie de “sistema operacional” para hospitais, usando IA para apoiar também a gestão do corpo clínico (como escala de anestesistas e cirurgiões), a ocupação de leitos e o supply chain de materiais e medicamentos. A tese é que ineficiências administrativas acabam se traduzindo em leitos ociosos, cirurgias canceladas e, no limite, menos pacientes atendidos.


Por Laura Pancini

Publicação original

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