Sistema de direção assistida passa a ser oferecido apenas por assinatura mensal a partir de fevereiro, em meio à desaceleração nas vendas e maior pressão regulatória
A Tesla vai encerrar a venda da licença vitalícia do seu sistema de direção assistida Full Self-Driving (FSD). A partir de 14 de fevereiro de 2026, o software será disponibilizado exclusivamente por meio de assinatura mensal para novos usuários, segundo anunciou o CEO Elon Musk.
Com a mudança, deixa de existir a opção de pagamento único de US$ 8 mil (cerca de R$ 43 mil). A estratégia passa a priorizar a geração de receita recorrente, em um momento em que a montadora enfrenta queda nas vendas globais e concorrência crescente — especialmente da chinesa BYD, que superou a Tesla em volume de veículos elétricos vendidos em 2025.
Nos Estados Unidos, o FSD é atualmente oferecido por US$ 99 por mês, o que reduz a barreira de entrada para consumidores que hesitavam em desembolsar o valor integral antecipadamente. Musk não detalhou os motivos da decisão, mas o movimento aproxima a Tesla de modelos adotados por grandes empresas de tecnologia, que têm ampliado a oferta de serviços digitais por assinatura para estabilizar o faturamento.
Autonomia ainda distante
Apesar do nome, o Full Self-Driving não confere autonomia total aos veículos. O sistema permite manobras como troca de faixas, navegação em cruzamentos e respeito à sinalização urbana, mas exige supervisão constante do motorista e intervenções frequentes. Legalmente, o FSD segue classificado como Nível 2, o que mantém a responsabilidade por eventuais acidentes integralmente com o condutor.
Musk afirmou recentemente que o sistema só poderá operar sem supervisão humana quando a frota da Tesla acumular cerca de 16 bilhões de quilômetros rodados com o software ativo. No fim de 2025, esse número estava pouco acima de 11 bilhões, o que empurra qualquer promessa de autonomia plena para 2027 ou além.
Pressão regulatória e estratégia
A mudança no modelo de comercialização ocorre em meio a investigações regulatórias nos Estados Unidos. A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) apura relatos de colisões e infrações envolvendo veículos equipados com o FSD, o que aumenta o risco jurídico para a empresa.
Ao migrar definitivamente para o modelo de assinatura, a Tesla ganha flexibilidade comercial e reduz a exposição associada à venda de uma tecnologia que ainda não alcançou o nível de autonomia prometido. Enquanto isso, os robotáxis da companhia seguem operando apenas em testes controlados, com supervisão humana e sistemas de desligamento de emergência.
O que MR publicou
