País lidera infraestrutura de dados na América Latina e concentra cerca de 200 empreendimentos
O mercado de data centers no Brasil movimentará aproximadamente US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, impulsionado pela expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização de serviços. A estimativa consta em relatório da Moody’s.
Atualmente, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking global de data centers e lidera o mercado na América Latina, concentrando cerca de 50% da infraestrutura instalada na região. O país reúne aproximadamente 200 empreendimentos e projeta investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões até 2029.
Os data centers são estruturas essenciais para o armazenamento, processamento e distribuição de dados digitais, sustentando desde plataformas de streaming e sistemas bancários até redes sociais, serviços públicos e aplicações avançadas de inteligência artificial. O avanço acelerado dessas tecnologias tem elevado a demanda por infraestrutura robusta, segura e energeticamente eficiente.
Segundo o Ministério das Comunicações, o desempenho do mercado brasileiro está diretamente ligado a fatores estruturais, como a ampla oferta de energia renovável, a disponibilidade de água — utilizada no resfriamento dos equipamentos — e a posição estratégica do país no tráfego internacional de dados, reforçada pela rede de cabos submarinos que conecta o Brasil a outros continentes.
“O Brasil reúne condições únicas para se consolidar como um hub global de soluções digitais e serviços de data centers”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. Segundo ele, o governo trabalha na construção de um ambiente regulatório capaz de atrair grandes investimentos para o setor.
Nesse contexto, o governo federal avança na Política Nacional de Data Centers, vinculada ao programa Nova Indústria Brasil. A iniciativa tem como foco oferecer segurança jurídica, estimular a eficiência energética, promover a formação de mão de obra especializada e integrar os data centers às cadeias produtivas nacionais.
Incentivos e política industrial
Como parte da estratégia, foi criado o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), que prevê R$ 5,2 bilhões no Orçamento de 2026 para incentivar novos empreendimentos, com prioridade para regiões ainda pouco atendidas pela infraestrutura digital.
A expectativa do governo é que a expansão do setor contribua para a geração de empregos qualificados, o avanço tecnológico e o fortalecimento do Brasil na economia digital global.
