Presidente dos EUA reagiu a declarações do CEO da petroleira, que classificou o país sul-americano como “não investível” durante reunião na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode impedir a Exxon Mobil de participar de novos investimentos na Venezuela, após o presidente-executivo da companhia, Darren Woods, ter classificado o país como um ambiente “não investível”.
A declaração foi feita durante uma reunião de alto nível na Casa Branca, na última sexta-feira (9), que reuniu Trump e cerca de 20 executivos do setor de petróleo. No encontro, o presidente norte-americano defendeu um plano para mobilizar ao menos US$ 100 bilhões em investimentos privados com o objetivo de revitalizar a indústria petrolífera venezuelana.
Segundo Woods, para que a Venezuela volte a ser considerada uma opção viável, seria necessário reformar o marco legal do setor, incluindo a lei de hidrocarbonetos, além de restabelecer garantias duráveis de proteção aos investimentos estrangeiros. O executivo lembrou que ativos da Exxon foram confiscados em duas ocasiões no passado, durante o processo de nacionalização da indústria do petróleo promovido pelo governo de Hugo Chávez entre 2004 e 2007.
As declarações do CEO desagradaram Trump. No domingo (11), a bordo do Air Force One, o presidente afirmou estar inclinado a excluir a Exxon de qualquer iniciativa envolvendo a reconstrução do setor petrolífero venezuelano. “Eu não gostei da resposta da Exxon. Estão sendo espertinhos demais”, disse a jornalistas.
Historicamente, Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips figuraram entre os principais parceiros da estatal venezuelana PDVSA. Após a nacionalização, apenas a Chevron manteve operações no país, enquanto Exxon e ConocoPhillips deixaram a Venezuela e posteriormente acionaram o governo em processos de arbitragem internacional. Decisões judiciais estimam que o país deva mais de US$ 13 bilhões às duas companhias.
Durante a reunião, Trump afirmou que caberá ao governo americano decidir quais empresas poderão operar na Venezuela, atuando como intermediário entre as petrolíferas e o país. No sábado (10), o presidente assinou ainda uma ordem executiva para impedir que receitas do petróleo venezuelano mantidas em contas do Tesouro dos EUA sejam confiscadas por tribunais ou credores.
Apesar do tom crítico, Woods afirmou que a Exxon poderia reavaliar sua posição caso haja um convite formal e garantias efetivas de segurança jurídica. Outros executivos presentes à reunião adotaram postura mais otimista, destacando interesse em ampliar investimentos no país caso o ambiente regulatório seja reformado.
