PATROCINADORES

Site de Trump distorce ataque ao Capitólio e repete alegações já desmentidas

Da redação
7 de janeiro de 2026
Página oficial ignora investigações, decisões judiciais e provas sobre a invasão de 6 de janeiro; acusações contra Pelosi e fraude eleitoral não têm respaldo factual

O site lançado pela Casa Branca sob a gestão de Donald Trump apresenta uma versão distorcida e factualmente incorreta da invasão ao Capitólio dos Estados Unidos, ocorrida em 6 de janeiro de 2021, ao atribuir responsabilidade à ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi e classificar os invasores como “manifestantes pacíficos”.

Capa do site sobre os acontecimentos do 6 de Janeiro, de acordo com o governo Trump. Foto: Reprodução

As afirmações publicadas contradizem investigações oficiais, decisões judiciais, registros em vídeo, depoimentos sob juramento e relatórios independentes produzidos desde o ataque.

❌ FALSO: “Pelosi foi responsável pela invasão”

Não há qualquer evidência de que Nancy Pelosi tenha instigado, permitido ou sido responsável pelo ataque. Investigações conduzidas pelo Congresso dos EUA, por promotores federais e pela Polícia do Capitólio dos Estados Unidos concluíram que a invasão foi resultado direto da mobilização de apoiadores de Trump, após semanas de alegações infundadas de fraude eleitoral.

O relatório final do comitê da Câmara que investigou o episódio apontou que Trump tentou reverter o resultado eleitoral e pressionou autoridades, criando o ambiente que levou à violência.

❌ FALSO: “Não houve insurreição nem violência”

Há ampla documentação de violência. Manifestantes invadiram o Congresso, quebraram portas e janelas, agrediram policiais com barras de ferro, extintores e sprays químicos e interromperam a certificação do resultado eleitoral.

O saldo oficial foi de cinco mortes, incluindo um policial, além de dezenas de feridos. Mais de 1.200 pessoas foram presas e centenas condenadas, inclusive por crimes como conspiração sediciosa, conforme decisões judiciais confirmadas em múltiplas instâncias.

❌ FALSO: “A eleição de 2020 foi fraudada”

A alegação de fraude eleitoral foi rejeitada por mais de 60 decisões judiciais, incluindo tribunais federais e estaduais, além de autoridades eleitorais republicanas e democratas. O então presidente eleito Joe Biden venceu a eleição de forma legítima, fato reconhecido inclusive por membros do próprio Partido Republicano.

Nenhuma auditoria oficial encontrou provas de fraude em escala capaz de alterar o resultado do pleito.

Linha do tempo manipulada

O site do governo Trump publica uma linha do tempo que omite fatos centrais, como:

  • discursos reiterados de Trump incentivando a ida a Washington;
  • a recusa inicial em agir para conter a violência;
  • mensagens públicas atacando o vice-presidente Mike Pence enquanto o Capitólio era invadido.

Esses elementos constam de registros oficiais, depoimentos e documentos analisados pelo Congresso.

Os fatos reconhecidos

No 6 de janeiro de 2021, apoiadores de Trump invadiram o Capitólio durante a certificação da vitória de Biden. A sessão foi interrompida, parlamentares evacuados e a Guarda Nacional precisou ser acionada para retomar o controle.

Ao retornar à Presidência em 2025, Trump concedeu perdões presidenciais a parte dos condenados, decisão que segue sendo alvo de críticas de juristas, parlamentares e organizações de defesa da democracia.

A tentativa de recontar oficialmente um episódio histórico já amplamente documentado representa um risco institucional, ao relativizar a violência política e enfraquecer a confiança pública em processos democráticos.


O que MR publicou

COMPARTILHE:

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PATROCINADORES

Leia também

Em breve