Com quase R$ 2 bilhões em 130 operações, EXT Capital criou seu roteiro para mapear empresas nascentes de tecnologia, desenvolvendo vocação para mobilidade, marketplaces e fintechs
Em tese não há segredo para investir em startups. Bastaria a oportunidade parecer promissora e os riscos serem razoavelmente avaliados. O problema é que este tipo de análise exige ciência e conhecimento prévio do segmento. Para desenhar esse roteiro, de tempos em tempos MONEY REPORT consulta individualmente fundos de equity e investidores anjo para saber como fazem seus mapeamentos e quais foram suas escolhas.
A da vez foi a EXT Capital, que tem R$ 607 milhões disponíveis e um pé firme em startups nas fases intermediárias (pós-seed e rodadas de séries A e B). Fundada em 2022, a gestora investiu mais de R$ 1,9 bilhão em 130 operações de diferentes portes. A vocação da casa se direcionou para soluções de mobilidade, marketplaces e fintechs, ainda que também atue financiando crescimento, aquisições, capex e estruturação de dívidas e securitização de carteiras de recebíveis.
Sócio-fundador, Gabriel Sidi considera que parte da vocação da EXT é elevar startups para rodadas mais maduras com oferta de capital, estrutura de funding, crédito e suportes em governança, planejamento financeiro e estruturação. Para 2026, a meta é movimentar até R$ 1,5 bilhão, quase dobrando os R$ 800 milhões de 2025. Até 2036 a intenção é atingir um portfólio de 100 startups.
Para Sidi, a fase de euforia no segmento já passou e o ciclo de capital de risco no Brasil amadureceu. “O que é bom para o ecossistema, pois separa investidores oportunistas daqueles de longo prazo e os empreendedores oportunistas daqueles que têm real propósito”, disse.
Portfólio
Tanto que os abordagens para cada startup variam. Algumas recebem capital, outras, estruturação de dívida ou uma combinação. Sidi explica sem dar nomes, mas elencou abaixo suas apostas mais promissoras: “O ponto fundamental para o empreendedor ter maturidade para uma dívida estruturada é ter atingido um early product market fit, reduzindo a necessidade de diluição em valuations menos atrativos com capital de equity. Antes disso, ainda é possível mesclar a redução de equity apenas via desconto de recebíveis de curto prazo”.
Há outra soluções. “Se tiver o modelo for B2B, deve-se recorrer aos contratos de seus clientes com melhor capacidade de crédito para antecipação de capital de giro. Se for voltado para B2C ou PMEs no geral, recorrer à antecipação de recebíveis de cartão de crédito pode ser uma alternativa”, explica.
Para ele, capitalizar a empresa exige atenção para não criar armadilhas.
“Um bom planejamento financeiro é essencial para não se diluir muito em um round ou, pela falta dele, não levantar o suficiente para garantir o crescimento de forma estruturada, ainda mais em ambientes adversos.”
Pilares para avaliar startups em estágios iniciais
- Empresas que tenham conseguido manter capacidade de crescimento de forma contínua, independente do cenário;
- Diferencial competitivo expresso na capacidade de margem na comparação com o mercado. Product market fit oferece uma margem satisfatória em relação ao mercado;
- Governança estruturada e bons investidores externos;
- Espaço para o investidor se tornar o maior credor, com lugar à mesa no planejamento estratégico ou da governança com força semelhante aos demais shareholders.
Para onde foram os investimentos

R$ 500 milhões para crédito consignado e antecipação de FGTS por aplicativo

R$ 90 milhões para aluguel de motocicletas elétricas

R$ 50 milhões para soluções de tecnologia para condomínios residenciais

R$ 80 milhões para locadora digital por app com possibilidade de uso compartilhado

R$ 45 milhões para gestão de mobilidade corporativa
