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Qual é a verdadeira rejeição de Lula e de Flávio?

Aluizio Falcão Filho
24 de dezembro de 2025

Não é segredo algum que a próxima eleição, se realmente contar com os personagens principais de hoje, será decidida pelo nível de rejeição de quem for ao segundo turno. Por ora, os favoritos a passar para a etapa final do pleito são o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Mas, afinal, qual é o verdadeiro índice de rejeição dos dois?

Há alguns parâmetros para fazer essa análise, mas vamos ficar em duas pesquisas disponíveis, ambas realizadas em dezembro. Em uma das enquetes, a da Quaest,a rejeição de Lula é de 54%; já a do senador é de 60%. No caso do Datafolha, Lula é rejeitado por 44% e Flávio por 38%.

Afinal, por que esses números são tão diferentes?

As diferenças entre os percentuais de rejeição medidos por Datafolha e Quaest começam pelo método segundo o qual as entrevistas são realizadas. O Datafolha, por exemplo, aborda pessoas em locais de grande circulação. Isso acaba produzindo uma amostra mais urbana e com menor presença das classes D e E. Já a Quaest trabalha com entrevistas domiciliares, que alcançam um público mais amplo e incluem proporcionalmente mais eleitores de baixa renda, grupo que costuma aparecer menos em pesquisas realizadas nas ruas.

Os institutos também coletam os dados que compõem o índice de rejeição de maneiras distintas. O Datafolha faz uma pergunta direta sobre em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum, aplicada rapidamente em meio a uma lista de nomes. A Quaest insere a rejeição dentro do bloco de potencial de voto, no qual cada figura pública é avaliada individualmente em categorias como votaria, poderia votar ou não votaria de jeito nenhum. Esse formato mais detalhado leva o entrevistado a refletir mais sobre cada nome e pode teoricamente elevar os índices de reprovação.

A combinação entre perfil da amostra e formato da pergunta ajuda a explicar por que a Quaest registra rejeições mais altas para figuras muito conhecidas, como Lula e Flávio Bolsonaro. As entrevistas domiciliares captam mais eleitores das classes D e E, que têm padrões específicos de preferência eleitoral, e o questionário mais longo estimula respostas mais categóricas. O resultado é de números diferentes dos da Datafolha, não por contradição, mas porque cada instituto captura dimensões distintas da opinião pública.

Se a metodologia utilizada pelos técnicos da Quaest for a correta, dificilmente a reeleição escapará de Lula. Mas se a abordagem do Datafolha estiver certa, as chances do senador aumentam bastante.

Há, porém, uma dúvida que continua pairando no ar. Os especialistas em estatística concordam em dizer que o método da Quaest privilegia as classes D e E. Portanto, haveria mais eleitores de Lula na amostragem. Mas, se for assim, por que a rejeição de Lula, nesta pesquisa, é bem maior que a registrada pelo Data folha (54% contra 44%)?

Em primeiro lugar, eleitores de baixa renda não são homogêneos. Embora Lula tenha mais apoio nas classes D e E, esse grupo também concentra parte dos eleitores mais críticos ao governo, especialmente aqueles que se sentem mais afetados por problemas de segurança pública. Em entrevistas domiciliares, esses segmentos aparecem com mais peso do que em pesquisas de ponto de fluxo, o que pode elevar a rejeição.

Por fim, há o efeito do contexto e da reflexão. Pesquisas domiciliares, com questionários longos, criam um ambiente em que o entrevistado pensa mais sobre cada nome. Isso costuma penalizar figuras muito expostas, como Lula, que acabam recebendo avaliações mais extremas, tanto positivas quanto negativas. O resultado é uma rejeição mais alta na Quaest, mesmo com uma amostra que inclui mais eleitores de baixa renda.

Cada pesquisa oferece um recorte distinto do humor do eleitor e a leitura combinada desses retratos é o que permite entender o cenário com mais precisão. Enquanto novos levantamentos não forem realizados, vai ser difícil quantificar qual é a verdadeira rejeição de cada um. E é este índice um dos principais indicadores para saber quais são as verdadeiras chances dos principais candidatos.

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