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Assinatura do acordo UE-Mercosul fica para janeiro

Da redação
18 de dezembro de 2025
Pedido de adiamento partiu da Itália, segundo Lula; França, Polônia e Hungria também se opõem à aprovação imediata

A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, prevista para este sábado (20), foi adiada para janeiro. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (18) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a líderes do bloco, segundo informações do site Politico e da agência AFP, com base em fontes diplomáticas.

O pacto, que deve criar a maior área de livre comércio do mundo, chegou a ser planejado para uma cerimônia em Foz do Iguaçu, mas enfrentou resistência de países europeus que pedem mais salvaguardas para seus setores agrícolas. França, Polônia e Hungria já se posicionavam contra a assinatura imediata, movimento que ganhou peso com a adesão da Itália ao grupo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o pedido de adiamento partiu da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Segundo ele, a líder enfrenta forte pressão de agricultores em seu país, embora não seja contrária ao acordo. “Ela pediu um prazo de uma semana, dez dias ou, no máximo, um mês para convencer os agricultores italianos a aceitarem o acordo”, disse Lula, após conversa telefônica com Meloni.

Em nota oficial, o gabinete da primeira-ministra confirmou o diálogo e reiterou que a Itália está pronta para assinar o tratado assim que houver respostas consideradas satisfatórias às demandas do setor agrícola, dependendo de decisões da Comissão Europeia.

A articulação dos países contrários atingiu o número mínimo necessário para bloquear a votação no Conselho da União Europeia: ao menos quatro Estados-membros que representem 35% da população do bloco. Com isso, a aprovação foi travada temporariamente, apesar do apoio de Alemanha, Espanha e países nórdicos, que defendiam a ratificação imediata.

Lula afirmou que não se surpreendeu com a resistência francesa, liderada pelo presidente Emmanuel Macron, mas disse ter ficado surpreso com a posição italiana. Macron, por sua vez, reiterou que a França não apoiará o acordo nos termos atuais, mesmo após ajustes recentes feitos pelo Parlamento Europeu. “O acordo não pode ser assinado como está”, afirmou o presidente francês antes da reunião do Conselho da UE.

O acordo UE-Mercosul é visto como estratégico para ampliar exportações europeias de veículos, máquinas, vinhos e bebidas para a América Latina, em meio ao aumento das tensões comerciais globais. Ainda assim, o impasse político e a pressão de agricultores seguem como os principais obstáculos para a conclusão do tratado.

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