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Ata do Copom reforça cautela e mantém juros elevados

Lorena Scavone Giron
16 de dezembro de 2025
Documento do Banco Central destaca incertezas globais, expectativas de inflação desancoradas e riscos fiscais, sinalizando política monetária contracionista prolongada

O Banco Central deixou claro na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que não há espaço para iniciar um ciclo de corte de juros no curto prazo. O documento, divulgado nesta terça-feira (16), reforça que a taxa Selic, mantida em 15% ao ano pela quarta revisão consecutiva, deverá permanecer em nível elevado por um período “bastante prolongado”, o que elimina a possibilidade de redução já em janeiro.

A repetição do termo ao longo do texto não é casual. Segundo o Copom, o cenário econômico atual segue marcado por elevado grau de incerteza, especialmente no ambiente internacional, com impactos relevantes sobre as condições financeiras globais. Tensões geopolíticas, política monetária de economias centrais e riscos externos exigem cautela adicional, sobretudo por parte de países emergentes.

“O ambiente externo ainda se mantém incerto”, afirma o documento, que mais adiante reforça que esse contexto “exige cautela na condução da política monetária”. A leitura do comitê é de que o nível de imprevisibilidade permanece alto demais para permitir mudanças rápidas na estratégia de juros.

No cenário doméstico, o Copom reconhece sinais de moderação da atividade econômica, mas adota tom prudente. O texto aponta que os indicadores seguem trajetória de desaceleração “conforme esperado”, ao mesmo tempo em que ressalta a resiliência do mercado de trabalho. Segundo o colegiado, o mercado permanece “bastante apertado”, apesar de apresentar “sinais incipientes de desaquecimento”, fator que ajuda a explicar a persistência da inflação de serviços.

Em relação à inflação, o comitê admite algum arrefecimento recente dos índices, mas destaca que o principal desafio segue sendo o comportamento das expectativas. A ata afirma que a inflação cheia e as medidas subjacentes continuam acima da meta e que as expectativas permanecem desancoradas em todos os horizontes relevantes.

Nesse contexto, o texto traz uma das mensagens mais duras do ponto de vista prospectivo. “Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, afirma o Copom. O trecho reforça a avaliação de que a política monetária precisará seguir contracionista por mais tempo para garantir a convergência da inflação à meta.

As projeções do próprio Banco Central corroboram essa leitura. No cenário de referência, a inflação estimada para 2025 é de 4,4%, com convergência mais próxima da meta apenas no horizonte mais longo, alcançando 3,2% no segundo trimestre de 2027. Segundo a ata, essa trajetória está diretamente associada à necessidade de manter juros elevados por um período extenso.

A política fiscal também voltou ao centro do debate. O Copom alerta que o enfraquecimento do esforço de reformas estruturais, a falta de disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Esses fatores, segundo o comitê, reduzem a eficácia da política monetária e aumentam o custo do processo de desinflação.

“O debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, diz a ata, ao ressaltar que previsibilidade e credibilidade na condução da política fiscal são essenciais para a convergência da inflação à meta.

No encerramento do documento, o recado ao mercado é direto. O Copom afirma que o cenário atual “prescreve uma política monetária significativamente contracionista por período bastante prolongado” e reforça que não hesitará em retomar o ciclo de alta de juros, caso julgue necessário. O texto, assim, consolida a leitura de que o início de um ciclo de cortes ainda está distante e dependerá de uma melhora consistente das expectativas inflacionárias e do ambiente fiscal.

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