Medida mexicana prevê tarifas de até 50% a partir de 2026 e afeta especialmente a indústria de transformação; setor automotivo concentra mais da metade do impacto
O aumento generalizado das tarifas de importação aprovado pelo Senado do México pode atingir até US$ 1,7 bilhão das exportações brasileiras, segundo estimativa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O valor corresponde a 14,7% do total exportado pelo Brasil ao México em 2024, com impacto direto sobre 232 produtos da indústria de transformação.
O tarifaço integra o Programa de Protección para las Industrias Estratégicas, que eleva de forma significativa as taxas de importação de 983 códigos tarifários, abrangendo 19 setores. A alíquota média pode saltar de 16,1% para 33,8%, chegando a até 50% em alguns casos. As tarifas incidem principalmente sobre têxteis, vestuário, aço, autopeças, plásticos e calçados.
Embora o foco da medida seja conter a dependência de insumos asiáticos, sobretudo da China — cujo impacto potencial é estimado em US$ 34,2 bilhões — a mudança afetará diversos países, incluindo o Brasil, hoje o quinto mais vulnerável ao novo regime, segundo a CNI.
Automotivo será o mais prejudicado
O estudo mostra que 67,6% do valor afetado corresponde a bens intermediários usados no comércio intraindústria. O setor de veículos automotores é o mais atingido: sozinho, responde por US$ 922,3 milhões, ou 53,8% do impacto total. Entre os itens mais sensíveis estão motores de pistão, veículos de passageiros e partes e acessórios automotivos.
Acordos atuais são insuficientes, diz CNI
A CNI alerta que os acordos comerciais hoje vigentes entre Brasil e México têm cobertura “insuficiente” para neutralizar os efeitos das novas tarifas. Do total potencialmente afetado, 59,8% dos produtos contam com preferência tarifária integral, enquanto 40,2% não possuem acordos ou têm apenas preferências reduzidas.
Segundo a entidade, a medida mexicana “pode aumentar custos de produção e impactar negativamente os fluxos de comércio e investimentos entre os dois países”.
A confederação defende que Brasil e México intensifiquem o diálogo bilateral para buscar isenções ou diferenciações para produtos brasileiros, e reforça a necessidade de um acordo de livre comércio mais abrangente.
Como a medida avançou
O projeto foi aprovado pelos deputados e, depois, pelo Senado mexicano na quarta-feira (10), com 76 votos a favor, 5 contra e 35 abstenções. As novas tarifas entrarão em vigor em 2026, embora a maioria dos produtos tenha teto de 35%.
O governo mexicano argumenta que o programa busca proteger setores estratégicos, ampliar empregos e estimular a produção local em polos industriais.
